segunda-feira, 11 de julho de 2016

Queda do dólar barateia pacotes e faz brasileiro voltar a viajar ao exterior




"Viagem internacional" deixa de ser palavrão no cenário brasileiro de crise. Ao menos é o que indica o movimento registrado nas últimas semanas em agências de viagens e casas de câmbio.

Depois de um período de valorização do real frente ao dólar e à libra esterlina, empresas e associações do setor ouvidas pela Folha dizem já ter registrado aumento na busca por pacotes de viagem ao exterior.

"Fizemos uma pesquisa na semana passada e associados informaram que a procura aumentou 10%", diz Edmar Bull, presidente da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens). "Esperamos que as vendas em julho cresçam 5% em relação a 2015."

No final de junho se acentuou a queda no valor do dólar americano –que registra uma redução acumulada de 17% no ano; a moeda, que ultrapassou a marca de R$ 4 em janeiro, fechou a última terça-feira (5) na casa de R$ 3,30 e, na expectativa dos economistas, deve encerrar 2016 em R$ 3,46. A libra esterlina, que chegou a custar mais de R$ 5 neste ano, fechou a última terça em R$ 4,30.

"Quinze centavos a menos na cotação do dólar significam pacotes até 8% mais baratos", diz Valter Patriani, vice-presidente da CVC.

A agência, maior do país, recuperou, em junho, a proporção usual entre vendas de pacotes internacionais (40%) e nacionais (60%).

No ano passado, com a crise mais aguda, essa relação foi de 30% e 70%, respectivamente; em janeiro deste ano, as viagens internacionais representavam apenas 20% das vendas de viagens.

Os pacotes da agência oferecidos para o Reino Unido já estão 15% mais baratos.

No Decolar.com, na semana passada, a procura por viagens internacionais cresceu 12% em relação ao mesmo período de 2015. Na Abreu, 15%.

O buscador de passagens aéreas Kayak registrou, nas últimas duas semanas, aumento nas buscas por destinos considerados "portos seguros" de brasileiros: 30% para Miami, 35% para Orlando e 17% para Lisboa.

"Nos momentos em que a crise começa a refluir, quem não estava pensando em viajar começa a pensar de novo, e quem cogitava viajar, parte para consumir", diz Magda Nassar, presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo).

Aldo Leone, presidente da agência Agaxtur, que também registra aumento na demanda, vê mudança no comportamento do turista: "Viagens para compras estão sendo substituídas pelas de só lazer".

Como a crise não passou de vez, as estratégias das agências para vender em tempos difíceis continuam, como parcelamentos em mais vezes e câmbio fixado a preço menor.

Hora de aproveitar. "Se a estabilidade continuar, a tendência é que os preços se reacomodem a um patamar mais 'real', menos promocional", diz Magda Nassar.



CÂMBIO FAVORÁVEL



Mesmo quem pretende esperar um pouco para viajar ao exterior pode se dar bem se trocar dinheiro agora –economistas indicam sempre a compra fracionada justamente para aproveitar momentos como esse, de baixa.

Além das agências de viagens, casas de câmbio também registraram mais movimento com a valorização do real frente ao dólar e à libra.

A Cotação viu a procura por essas moedas estrangeiras crescer 40% nas últimas duas semanas de junho; na Ourominas, o aumento chegou a 50% no caso do euro.

Sair do Brasil com dinheiro vivo também reduz a necessidade de usar, no destino, o cartão de crédito, no qual há incidência de IOF e o risco de o câmbio mudar muito até a fatura ser fechada.

Outra dica é fechar o máximo possível de gastos no Brasil, para ter o parcelamento fixado e em reais. Endividar-se para viajar, especialmente em dólar, não é recomendado.

"Ainda devemos ver oscilações, porque o câmbio continua volátil e a política cambial do governo interino não está muito clara", diz Hsia Hua Sheng, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

"Outra questão é o fato de a crise não ter envolvido só o câmbio; os maiores problemas econômicos do país hoje são a queda no poder de compra e o desemprego, fatores que não deixam sobrar dinheiro para gastar lá fora."

Além disso, a instabilidade política –que inclui a definição do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto– pesa na economia. "Também não está claro o real impacto da saída do Reino Unido da União Europeia; qualquer que seja ele, libra, euro e dólar vão passar por mais alterações."

Para auxiliar quem vai viajar, a Abracam (Associação Brasileira das Corretoras de Câmbio) lançou, nesta semana, um guia com orientações sobre o câmbio de moeda estrangeira



(Fonte : Jornal Folha de SP / Imagem divulgação)

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