terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Remessa ao exterior fica mais cara com cobrança de Imposto de Renda


Estão incluídas na decisão despesas com serviços em outros países. Com isso, brasileiros que precisarem enviar dinheiro para gastos com turismo, educação ou saúde, por exemplo, terão 25% de IR retido na fonte. Empresas com despesas de funcionários no exterior também devem arcar com a cobrança



Em mais uma ação para elevar sua arrecadação durante o período de crise, o governo federal decidiu não renovar a isenção de Imposto de Renda para remessas ao exterior com valor de até R$ 20 mil, válida até o final do ano passado.

Estão incluídas na decisão despesas com serviços em outros países. Com isso, brasileiros que precisarem enviar dinheiro para gastos com turismo, educação ou saúde, por exemplo, terão 25% de IR retido na fonte. Empresas com despesas de funcionários no exterior também devem arcar com a cobrança.

A Receita Federal afirma que o contribuinte do imposto, nesses casos, não é o cidadão que realiza a remessa, mas a empresa que recebe o pagamento.

Especialistas apontam, no entanto, que dificilmente os prestadores de serviço estrangeiros aceitarão receber 25% a menos em razão da legislação tributária brasileira.

Assim, isso aumentaria ainda mais o valor a ser remetido pelo consumidor brasileiro. Quem precisa enviar US$ 1.000, por exemplo, teria de custear cerca de US$ 1.330 –33% a mais.

O fim da isenção também é alvo de discussão entre advogados tributaristas.

De acordo com Ana Cláudia Utumi, sócia do TozziniFreire Advogados, há outra legislação, no regulamento do Imposto de Renda, que isentaria a tributação nos casos citados. Trata-se do artigo 690 do decreto 3.000 de 1999.

Na interpretação de Utumi, sem a publicação de nova lei sobre a isenção, que vigorou entre 2011 e 2015, o que vale é o que está escrito no decreto.

Para evitar o pagamento do IR, diz a advogada, o cliente deve conversar com o banco pelo qual pretende fazer a remessa –é a instituição financeira a responsável por recolher o imposto.

"Se o banco não concordar, será preciso ingressar com uma consulta na Receita Federal para obter a confirmação de que a isenção se aplica", afirma.

Segundo a Folha apurou, há bancos que, baseados nesse entendimento, não estão cobrando o IR na fonte em remessas ao exterior.

As mudanças também atingem as operadoras e agências de viagens, que tinham isenção de até R$ 10 mil ao mês por despesa com passageiro.

Em nota divulgada na semana passada, a Belta (entidade de agências de intercâmbio) aconselha suas associadas a buscar instituições que não estejam cobrando o IR retido na fonte.

Remessas a familiares não estão sujeitas à tributação, diz a Receita. Portanto, aqueles que têm filhos estudando no exterior podem enviar dinheiro para eles sem pagar imposto. Caso precisem, porém, pagar pelos cursos do intercâmbio, haverá recolhimento do IR.

"O estudante brasileiro não recebe nenhum incentivo do governo e agora ainda tem mais essa surpresa", afirma Marcelo Melo, diretor financeiro da Belta.

Quem não quiser correr o risco de ser tributado, pode recorrer aos cartões de viagem pré-pagos, que podem ser utilizados para o pagamento de parte das despesas em outros países.

Também é possível, por exemplo, emitir um cartão para um dependente e recarregá-lo do Brasil, ainda que o familiar esteja estudando no exterior. Nesses casos, ele pode ser utilizado para cobrir os custos com educação ou saúde, por exemplo, evitando a necessidade de remessa.

Nesses casos, o imposto cobrado é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), com alíquota de 6,38%, portanto bem menor. Essa alíquota também incide nas transações com cartão de crédito.



O que diz o decreto texto do Artigo 690



Não se sujeitam à retenção de imposto as seguintes remessas ao exterior*:

>> cobertura de gastos pessoais, no exterior, de pessoas físicas residentes ou domiciliadas no país, em viagens de turismo, negócios, serviço, treinamento ou missões oficiais

>> remessas para fins educacionais, científicos ou culturais

>> remessas por pessoas físicas, residentes e domiciliadas no país, para cobertura de despesas médico-hospitalares com tratamento de saúde, no exterior, do remetente ou de seus dependentes

>>pagamento de despesas terrestres relacionadas com pacotes turísticos



(Fonte : Jornal Folha de São Paulo – 11-01-16 - imagem divulgação)

Brasileiro aperta cinto, mas mantém viagens para fora do país



O turismo de consumo secou, enquanto a demanda por hotéis de categoria econômica e o parcelamento avançaram, segundo executivos de grandes operadoras.
Levantamento em nove dos primeiros destinos do turista brasileiro no exterior mostrou crescimento em sete deles, puxado por Chile e Canadá, com aumento de 17% em relação a 2014

 

A desvalorização do real e a recessão não foram suficientes para brecar o apetite do brasileiro por férias no exterior, mas forçou o turista a buscar viagens mais baratas.

O turismo de consumo secou, enquanto a demanda por hotéis de categoria econômica e o parcelamento avançaram, segundo executivos de grandes operadoras.

Levantamento em nove dos primeiros destinos do turista brasileiro no exterior mostrou crescimento em sete deles, puxado por Chile e Canadá, com aumento de 17% em relação a 2014.

O avanço também aparece no Peru (7%), na Austrália (7%) e em Miami (3%). Na Argentina, houve recuo (6%), e, em Portugal, ficou praticamente estagnado (-0,8%).

"No primeiro momento de desvalorização forte do real, o turismo de compras, aquele do enxoval, por exemplo, quebrou. Depois, o turismo um pouco mais de massa diminuiu. Mas quem pode continua viajando e agora se beneficia das promoções", afirma Luiz Eduardo Falco, presidente da CVC.


Mala vazia

Principais destinos dos brasileiros no exterior


Hoje, as preferências são por destinos cujas moedas tiveram menor disparidade em relação ao real, além dos pacotes de cruzeiros marítimos e resorts "all inclusive".

"Nos cruzeiros, estou vendendo 15% a mais que em 2014 porque custa pouco e é 'all inclusive', ou seja, a pessoa já sabe quanto vai desembolsar antes de viajar. Isso ajuda a planejar o gasto", afirma Aldo Leone, presidente da Agaxtur.

A insegurança na economia também alterou o calendário e agora os brasileiros estão decidindo suas viagens mais em cima da hora.

VENDER O PRESENTE


"Deixamos de vender futuro e passamos a vender presente. Hoje, ninguém comprou junho ainda. Ninguém sabe se vai ter impeachment ou o que vai acontecer."

Um outro indicador de que o brasileiro não freou o interesse em viajar para fora do país é que, no transporte internacional, a demanda das empresas aéreas brasileiras teve em novembro alta pelo 21º mês consecutivo, com avanço de 8,5% na comparação anual, segundo a Anac.

As companhias transportaram 6,7 milhões de passageiros ao exterior de janeiro a novembro, quase 1 milhão mais que no mesmo período de 2014 e o dobro de 2007.

Por outro lado, os gastos com as viagens internacionais foram comprimidos. Recuaram 31% nos 11 primeiros meses de 2015, de acordo com o Banco Central. O valor de US$ 16,1 bilhões acumulado no ano é o menor desde 2010 (US$ 14,3 bilhões).


Mala vazia

Turistas brasileiros no exterior e gastos

Foi o que aconteceu com os turistas Eva e Osni Pompei, que acabam de voltar de uma temporada de férias nos EUA, onde evitaram restaurantes caros e consumismo.

"Foi só para passear mesmo. Dessa vez não deu para encher a mala de compras. Praticamente não trouxemos nada. Nem em Las Vegas eu me arrisquei no cassino. Quando perdi o primeiro dólar, saí correndo", diz Eva.

Para economizar, parte da hospedagem foi em casa de familiares. "Essa medida também ajudou a economizar na alimentação. Uma boa saída é cozinhar em casa."

(Fonte : Jornal Folha de São Paulo – 10-01-16 - imagem divulgação)

Brasileiros escolhem cidades do próprio estado como destino neste verão


Entre os que pretendem viajar, o gasto médio deverá ser de R$ 741,33, que representa uma injeção de R$ 18,6 bilhões na receita do comércio nacional



Os brasileiros estão mais propensos a viajar durante o verão. A parcela dos que possuem essa intenção subiu para 17%, contra 15% do ano anterior, segundo pesquisa Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ)/Ipsos). O resultado equivale a cerca de 25,1 milhões de viajantes em todo o país. Entre os que irão viajar no verão ou que possuem a intenção, 58% devem realizar roteiros dentro do próprio estado. Outros 39% deverão fazer viagens nacionais, fora do estado. Apenas 2% apontaram destinos internacionais.

Entre os brasileiros que pretendem viajar, o gasto médio deverá ser de R$ 741,33, que representa uma injeção de R$ 18,6 bilhões na receita do comércio nacional. No ano anterior, o gasto médio era de R$ 570,33, revelando um aumento de 30%.

Entre os 77% que não pretendem viajar, as razões mais citadas para a decisão foram: ficar em casa para evitar novos gastos (69%), trabalhar mais para ganhar dinheiro extra (21%) e aproveitar a estação na própria cidade (10%). Durante a apuração, 6% dos consumidores consultados não souberam informar se pretendiam viajar.

A pesquisa foi realizada pela Fecomércio RJ-Ipsos entre os dias 14 e 28 de novembro de 2015, com 1.200 consumidores em 72 municípios brasileiros.



(Fonte : Monitor Mercantil – 11-01-16)

Brasil será número 1 na procura dos argentinos em 2016




Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador, Búzios (RJ) e Natal são os destinos mais concorridos entre os turistas da Argentina


O Brasil será o destino mais procurado pelos argentinos este ano, e esta semana (de 11 a 17 de janeiro) é a mais requisitadas pelos nossos vizinhos. Carnaval, o restante de fevereiro e o fim do ano são os outros períodos de maior procura. Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador, Búzios (RJ) e Natal são os destinos mais concorridos entre os turistas da Argentina. Os dados são do Decolar.com.

Segundo a empresa, o Brasil também vem sendo muito procurado por outros países da América do Sul, como Peru, Paraguai e Chile. O Rio de Janeiro é o destino mais buscado nos três países, seguido pela cidade de São Paulo, no Peru e no Chile, e por Florianópolis no Paraguai. Enquanto o Rio é líder em venda de voos e pacotes, Florianópolis tem a liderança em hotéis. Até a primeira quinzena de dezembro, houve aumento de 11% de vendas em voos e 25% em pacotes para os meses de janeiro e fevereiro de 2016. A explicação, segundo o Decolar, seria a desvalorização do peso e do real, o que ajuda os argentinos a virem ao Brasil.


(Fonte : Panrotas – 11-01-16 - imagem divulgação)

Estudo dos EUA prevê queda de 12% em trabalhos de agentes até 2024


A projeção foi incluída no Occupational Outlook Handbook 2016-2017 lançado em dezembro de 2015




Ao citar continuas oportunidades para pesquisar e reservar viagens na internet, bem como um aumento em reservas de smartphones, o Departamento de Estatísticas dos Estados Unidos projeta que o número de empregos para agentes de viagens vai declinar 12% até 2024. A projeção foi incluída no Occupational Outlook Handbook 2016-2017 lançado em dezembro de 2015.

"A capacidade dos viajantes de usar a Internet para pesquisar e reservar sua própria viagem vai suprimir a demanda por agentes de viagens", afirma o estudo. "O número de reservas em dispositivos móveis deve crescer", analisa.

Enquanto o departamento alerta para uma diminuição global no número de agentes, ele mostra perspectivas para atrais mais clientes. "No entanto, o grande número de viajantes terão uma experiência frustrante com compras em sites", aponta o estudo. "Isso pode levar a um número crescente de pessoas que vão procurar os agentes de viagens para ajudar a filtrar as opções e dar recomendações pessoais."

O estudo do departamento disse ainda que os profissionais devem se especializar, tanto em destinos ou tipos de viajantes (como exemplo, o órgão cita grupos de interesses especiais e viajantes corporativos) específicos. Ele também observa que "novas oportunidades de trabalho podem aparecer com o número crescente de viajantes que chegam a idade da aposentadoria."



(Fonte : Mercado & Eventos – 12-01-16 - imagem divulgação)

Aviação comercial transporta 3,5 bilhões de passageiros em 2015




O Relatório da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) mostra ainda que o número de partidas chegou a 34 milhões em todo o mundo e o tráfego, em termos de quilômetros percorridos por passageiro, registrou uma subida de 6,8%



O número de passageiros transportados em todo o mundo pela aviação comercial, durante o ano de 2015, foi de 3,5 bilhões, o que representa um aumento de 6,4% face a 2014. Os dados são da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO). O relatório da entidade mostra ainda que o número de partidas chegou a 34 milhões em todo o mundo e o tráfego, em termos de quilômetros percorridos por passageiro, registrou uma subida de 6,8%.

Segundo a ICAO, a indústria de aviação é composta por 1,4 mil companhias comerciais, mais de 4,1 mil aeroportos e 173 servidores de navegação aérea. Mais da metade dos 1,1 bilhão de turistas globais são transportados por via aérea e as aeronaves são responsáveis, em valores, por 35% do comércio global no setor.

Em termos de voos domésticos, os dados da ICAO indicam que aumentou 6,9%, em 2015. Por regiões do globo, a América do Norte, que representa 43% do mercado, subiu 4,7%, enquanto da Ásia, que tem uma fatia de 39% do mercado doméstico, registrou um aumento de mais de 10%, devido ao crescimento da Índia e da China. O relatório mostra também que as companhias aéreas de baixo custo transportaram mais de 950 milhões de passageiros em 2015.

A queda do preço dos combustíveis é vista como uma das razões para o aumento do movimento porque permitiu que as empresas pudessem oferecer passagens mais baratas, mas foi também que o levou a que as companhias aéreas tivessem fechado o ano com um lucro operacional de 60 mil milhões de dólares, contra 42 mil milhões de dólares do ano anterior. Recorde-se que, em 2014, os combustíveis representavam quase um terço dos custos operacionais das companhias aéreas.

2016 - a previsão da Icao é otimista, ela aponta uma queda maior do preço dos combustíveis e uma melhoria da economia global. Com isso, o setor da aviação comercial pode registrar uma subida tanto do tráfego de passageiros como dos lucros.



(Fonte : Mercado & Eventos – 12-01-16)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Trade faz apelo à presidente


Imposto de 33% vai gerar 600 mil demissões


As entidades de Turismo Abav, Abeta, Belta, Braztoa e Clia Abremar enviaram carta de apelo à presidente Dilma Rousseff e aos ministros do Planejamento, da Fazenda e ao secretário da Receita Federal, para que a incidência de imposto de renda sobre remessas ao Exterior seja mantida em 6,38%, como acordado com o ministro Joaquim Levy, que deixou o governo no final do ano, sob o risco, se mantido o imposto atual de 33%, do fechamento de empresas de turismo que vendem viagens internacionais.

A previsão das entidades, caso o imposto de renda seja mantido em 33% é de que 185 mil funcionários sejam demitidos, além da perda de 430 mil empregos indiretos, totalizando mais de 600 mil demissões por causa da medida.



O setor também estima, além das 600 mil demissões:



perdas de R$ 6,2 bilhões para a indústria de Viagens e Turismo em 2016;


26,5% de redução no faturamento das agências e operadoras, por causa da queda na venda do internacional;


R$ 20 bilhões de impacto negativo na economia brasileira;


R$ 4,1 bilhões de perdas em salários no setor;



E perda de R$ 1,6 bilhão em arrecadação de impostos federais.


Tudo isso somado a uma já sentida queda na venda de viagens internacionais pelo setor, estimada em 50% (em dólares), o que reduziria ainda mais a arrecadação pelo governo federal.


VISÃO DISTORCIDA



Ou seja, manter os 33% é uma visão míope e distorcida do governo federal, desesperado por arrecadações extras nesse momento de crise econômica, mas que pode, mantendo essa medida, gerar desemprego, fechamento de empresas e estímulo a remessas alternativas de dinheiro ao Exterior.

Uma reunião com o ministro Henrique Alves está marcada para o dia 12 de janeiro, em Brasília, o que levanta um sinal de alerta: para que a reunião se a medida provisória exclusiva sobre o setor, estabelecendo o imposto de renda de 6%, seria publicada na segunda-feira, 11? Provavelmente o ministro vá anunciar uma prorrogação, e por isso o trade decidiu fazer esse apelo, quase de sobrevivência.



HISTÓRICO


O ano passado terminou com a garantia do governo federal de que o acordo fechado pelas entidades de Turismo com o ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, seria honrado: as remessas ao Exterior para pagamentos de serviços e despesas com viagens teriam imposto de renda de 6% (6,38% com todas as incidências tributárias, similar à CPMF paga hoje em compras lá fora) a partir de 11 de janeiro. Foi um acordo político costurado pelo ministro do Turismo, Henrique Alves, que já presidiu a Câmara dos Deputados e que explicou a situação do setor para os novos ministros da Fazenda e do Planejamento, Nelson Barbosa e Valdir Simão, e para o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.
De 1º a 10 de janeiro, está valendo a alíquota de 33% para essas remessas, com o mercado aguardando a publicação da medida provisória exclusiva prometida pelo ministro Alves em seu acordo com os demais ministros. Ultimamente o governo cancelou diversos incentivos e aumentou impostos para diversos segmentos, mas no Turismo, como se viu, o impacto seria, na palavra das entidades, “catastrófico”.


Confira abaixo o apelo das entidades de turismo ao governo federal.



Reiterando que nem as associações, nem o Ministério do Turismo confirmam se a medida provisória exclusiva será publicada no dia 11 ou um pouco depois. Há um comprometimento do ministro do Turismo de que o acordo de 6,38% está de pé. Um dos problemas é que essa arrecadação menor não foi retificada no orçamento pelo ex-ministro e por isso a publicação estaria demorando. Por cinco anos, como as entidades explicaram abaixo, na carta ao governo federal, esse imposto foi isento para esses pagamentos no Exterior.


"APELO DO TURISMO BRASILEIRO AO GOVERNO FEDERAL


O Turismo Nacional vive um dos mais graves momentos de sua história.


Parcela expressiva do setor turístico está na iminência de sucumbir, caso a administração federal não de celeridade a reversão da incidência de 25% para 6% de “tributos sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos para pessoa física ou jurídica residente no exterior, destinados à cobertura de gastos pessoais, de pessoas físicas residentes no país, em viagens de turismo, negócios, serviço, treinamento ou missões oficiais”.

A vigorar essa exigência, o Brasil verá seus cidadãos retirados do mapa do turismo internacional e poderá sofrer retaliação dos demais países, onerando as viagens de seus residentes a nosso país.

Fazemos um apelo às Suas Excelências, a Presidenta Dilma Roussef, o Ministro da Fazenda, Dr. Nelson Barbosa, e o Secretário da Receita Federal, Dr. Jorge Rachid, para que, sob a égide do bom senso e da justiça, atentem aos seguintes fatos:



1. O imposto nunca foi cobrado por força do disposto no artigo 690 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, Decreto 3000 de 1999, repetindo o RIR de 1994, que previa sua não incidência sobre remessas para pagamentos de serviços turísticos prestados no exterior.



2. Com nova interpretação, a Receita Federal entendeu, em 2010, como devido o imposto, à alíquota de 25%.



3. Adveio, na sequência, a Lei 12.249, que em seu artigo 60, isentou de 1º de janeiro de 2010 até 31 de dezembro de 2015, os tributos de valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, destinados à cobertura de gastos pessoais, no exterior, de pessoas físicas residentes no País, em viagens de turismo, negócios, serviço, treinamento ou missões oficiais.



4. A partir de 1º de janeiro de 2016 a Lei 12.249 passa a exigir como devido o recolhimento do IRRF com a alíquota de 25%. Negociações com o Ministério da Fazenda, há vários meses, com o apoio incondicional do Ministro do Turismo, Henrique Alves, possibilitaram a aplicação de uma alíquota de 6%, para equiparar o mercado ao da compra por cartão de crédito, sobre o qual incide IOF de 6,38%.



5. O setor aguarda a publicação da Medida Provisória exclusiva, prevista para 11 de janeiro, que formaliza a alíquota de 6%.



6. Se não for cumprido o acordo firmado pelo Ministério da Fazenda e com a Receita Federal o mercado, que movimentou cerca de 492,4 bilhões de reais, em 2014, segundo dados da WTTC (9,6% do PIB nacional), direta e indiretamente, ficará sujeito a desastrosos impactos socioeconômicos à economia nacional, a saber:


a) R$20bilhões de retração na economia nacional;


b) Eliminação de 185 mil vagas, diretas, e 430mil, indiretas, no mercado de trabalho;



c) R$4,1bilhões, é perda estimada de salários, diante da redução de  empregos;


Para evitar a catástrofe de muitos setores, nós, que representamos forte parcela da cadeia de turismo, vimos, respeitosamente, solicitar às autoridades fazendárias que acelerem o envio da MP com a alíquota de 6%, eis que a cobrança de 25% propiciará, inevitavelmente, a ruína das agências de turismo e a dispensa da massa nela empregada, além de precipitar uma perda estimada em R$1,6 bilhão anual de redução de arrecadação de impostos, em razão da base de cálculo dos tributos incidentes sobre a atividade desempenhada pelas agências/operadoras de viagens


Atenciosamente,



Abav, Abeta, Abremar, Belta e Braztoa



MTur diz que busca solução para imposto de 33%



"O Ministério do Turismo informa que tem acompanhado ativamente as negociações com o setor em relação ao fim da isenção de imposto de renda retido na fonte sobre as remessas de dinheiro ao exterior por agências e operadoras de viagens após 31 de dezembro de 2015. Por reconhecer a importância do setor para a economia brasileira – cerca de 3,1 milhões empregos diretos – a pasta reafirma seu comprometimento em busca de uma resolução satisfatória para os entes envolvidos de forma a garantir que o turismo siga contribuindo para alavancar a economia do País".

Essa foi a resposta do Ministério do Turismo, enviada por sua assessoria de comunicação, após a publicação do apelo das entidades do trade em relação à tributação sobre remessas para o Exterior. O ministro Henrique Alves, segundo informações das entidades, havia fechado um acordo político com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e o secretário da Receita, Jorge Rachid, para que fosse honrada a tributação de 6% (6,38%), acertada com o ex-ministro Joaquim Levy. Alves previra para esta segunda-feira, 11 de janeiro, a publicação de uma medida provisória exclusiva no Diário Oficial da União, mas já há indícios de que, se sair, essa MP será publicada entre 15 e 18 de janeiro.

O ministro Henrique Alves comprou a briga do turismo, pelo que dizem as associações, mas o problema maior é que o orçamento aprovado para 2016 contempla a alíquota de imposto de renda de 25% (33% no total) sobre remessas ao Exterior. Como tem cacife político por ter presidido a Câmara e ter uma longa carreira no Congresso, Alves teria conseguido reverter isso.

Há uma reunião prevista entre o trade, incluindo o empresário Guilherme Paulus, conselheiro da presidente da República para assuntos de turismo, na próxima terça-feira, em Brasília. Enquanto isso, as grandes empresas aguardam para enviar remessas ao Exterior (algumas já anteciparam ao menos um mês em dezembro).

Se publicada a MP, o imposto de 6,38% valerá para compras na internet ou em agências e operadoras físicas.



(Fonte : Panrotas – 08 e 09 -01-16 - imagem divulgação)