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quarta-feira, 16 de março de 2016

Pagar caro ou viajar com 23 kg ?


Por Silvio Cioffi



Fique de olho: está em curso uma nova “tunga” federal que deve encarecer (em muito) as viagens aéreas.

Ardilosamente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está propondo às companhias de aviação que, paulatinamente, passem a cobrar por bagagem despachada.

Não bastassem a carestia, a sanha arrecadatória do governo federal e o dólar que sobe e desce ao sabor dessa infinita crise política, está para acontecer um enorme retrocesso nos direitos dos passageiros brasileiros.

Hoje no Brasil, os passageiros (ainda) podem despachar uma mala de até 23 kg nos voos domésticos e duas de 32 kg cada em viagens internacionais.

A proposta da Anac às empresas aereas é ir piorando progressivamente a situação do consumidor.

Segundo consta, o primeiro passo do plano consiste em aumentar o atual limite de peso da mala de mão que o passageiro pode levar na cabine de 5 kg para 10 kg –bagagem que, diga-se, raramente é vistoriada.

Mas não se deixa enganar com essa falsa benesse.

Em “contrapartida”, no futuro, nos voos nacionais, todas as bagagens despachadas passariam indistintamente a ser cobradas.

Já nos voos internacionais, a consequência seria bem mais gravosa e, ao invés de despachar duas malas de 32 kg cada (regra atual para bilhetes emitidos no Brasil), a franquia por passageiro passaria a ser incialmente de duas malas de 23 kg.

E, como sempre dá para piorar, até 2018, a Anac concederia às empresas aereas o direito de transportar nos voos ao exterior, sem ônus extra, apenas uma mala de 23 kg.

Já o seu direito…

Em todo caso, como mostraram as manifestações pacíficas deste último domingo (13), ainda resta ao brasileiro o “jus sperniandi”, ou direito de espernear, reclamar e protestar.

Mas, se nada for feito, é líquido e certo que o passageiro brasileiro logo mais vai passar a viajar para o exterior como uma única mala de 23 kg – e olhe lá, que sempre dá para piorar !



Silvio Cioffi trata do universo das viagens e da indústria do turismo, bem como temas conexos, como feiras, eventos, notícias sobre aviação, hotelaria, cruzeiros marítimos, gastronomia e até dicas de lugares.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Dilma não quer você no exterior


*Por Silvio Cioffi



O primeiro dia deste ano amanheceu sombrio para os operadores de turismo –e trouxe uma triste e inesperada notícia: uma normativa, depois ratificada no Diário Oficial da União, “brindava” os brasileiros com uma alíquota de 25% no imposto de renda (IRFF) sobre remessas para pagar serviços de viagens contratados no exterior.

Desde então, o atual ministro Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), vem “garantindo” às entidades representativas do setor e aos operadores –entre eles, a Braztoa, a Abav-Nacional e a Clia-Abremar, além de dirigentes da CVC– que haveria uma reformulação e que a nova alíquota seria de “só” 6% (ou seriam 6,38%?).

Chegamos a fevereiro, o imbróglio continua, e a despeito da romaria que os operadores têm feito a Brasília, das fotos que têm tirado ao lado do ministro Henrique Alves, a alíquota de 25% continua em vigor, consoante que está com a sanha arrecadatória do governo federal e com a estratégia de dificultar a saída de divisas.

Após sucessivas promessas não cumpridas, a modificação, que deveria ter sido publicada na última sexta (29), ficou para 1 de fevereiro. Mas será mesmo que a palavra do ministro do Turismo vai ser cumprida?

Político experimentado, deputado federal por 11 legislaturas, não foi por acaso que Henrique Alves virou ministro do Turismo.

Se você pensou que ele entendia do assunto, que empreendeu ou se interessou pela indústria de viagens, a resposta é não: ele não tinha –e aparentemente continua a não ter—nenhuma afinidade com a pasta.

A favor dele, pesou o fato de ser um quadro diretivo do velho PMDB.

Logo que assumiu, é verdade, Henrique Alves mostrou força política ao conseguir a aprovação no Congresso para a dispensa de visto, por três meses, de estrangeiros que virão ao Brasil na época dos Jogos Olímpicos Rio-2016.

Foi uma bola dentro, tentar atrair mais visitantes do estrangeiro para o país é positivo e necessário, mas, neste momento, com a delonga em resolver a questão do novo imposto que na prática encarece bastante as viagens de brasileiros ao exterior, a lua-de-mel do ministro do Turismo com o setor de turismo está azedando.

2015 já foi um ano particularmente duro para os operadores, o dólar subiu 50% no ano, operadores tradicionais, entre eles a tradicional Nascimento Turismo, fecharam as portas.

Se nada ficar resolvido, ficará claro que o governo federal não dá a mínima para o setor de turismo, que o pano de fundo é tornar as viagens para o exterior proibitivas e arrecadar, arrecadar, arrecadar…



NÚMEROS PÍFIOS



Na contramão dos países que levam a indústria do turismo a sério, nesses últimos anos, o Brasil permaneceu, em relação ao receptivo, empacado na marca de 5,5 milhões de turistas estrangeiros/ano.

Em 2014, é verdade, o número melhorou um pouco: no ano da Copa do Mundo, cerca 6,7 milhões de viajantes internacionais para cá vieram.

Mas, também em 2014, a título de comparação, os números totalizados por órgãos oficiais dos maiores países receptivos e por organizações como Organização Mundial do Turismo (OMT), registram que França recebeu mais de 85 milhões de viajantes estrangeiros; os EUA, 75 milhões; a Espanha, 65 milhões; a China, 56 milhões, e a Itália, algo em torno de 48 milhões de turistas estrangeiros.

Há inclusive metrópoles e cidades-Estado que ganham de longe do Brasil no quesito atrair visitantes estrangeiros, caso de Hong Kong, hoje reincorporada à China, que recebeu quase 28 milhões de turistas em 2014.

De acordo a Euromonitor International e seu estudo Top 100 City Destinations, Hong Kong recebeu precisamente 27,7 milhões de estrangeiros no período, com mais de dez milhões de pessoas a mais em comparação com o segundo colocado, que foi Londres.

A Europa, por sua vez, permanece como um sonho de consumo mundial e sobretudo aos que se iniciam no mundo das viagens.



Já o Brasil, basta a ver pela lista abaixo, vai continuar na periferia da periferia da periferia:



Confira os números de visitantes estrangeiro sem 2014, de acordo com a pesquisa Top 100 City Destinations:
1- Hong Kong (China) – 27,7 milhões de turistas  2- Londres (Reino Unido) – 17,3 milhões 3- Cingapura – 17 milhões 4- Bangcoc (Tailândia) – 16,2 milhões 5- Paris – 14,9 milhões 6- Macau – 14,9 milhões 7- Shenzhen (China) – 13,6 milhões 8- Nova York – 12,2 milhões 9- Istambul (Turquia) – 11,8 milhões 10- Kuala Lumpur (Malásia) – 11,6 milhões



(Fonte : J. Folha de SP – 01-02-2016 / Silvio Cioffi é repórter especial. É graduado pela Faculdade de Direito da USP, universidade onde também estudou ciências sociais. Foi coordenador de Artigos e Eventos (1984-1991) e, a seguir, editor de Turismo (1991-2013) do jornal. Em 2013, participou do programa Knight Wallace Fellows da Universidade de Michigan-EUA) 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A HOTELARIA E O TURISMO NO BRASIL


 

O mercado hoteleiro no Brasil cresce todos os anos, e depois de ser escolhido como a sede dos maiores eventos esportivos da atualidade, a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, o pais acelera ainda mais a expansão nessa área.
O problema é se a demanda será atendida de forma adequada aos padrões internacionais e se teremos a chance de mostrar aos turistas uma boa imagem ou não. É aí que esbarramos na necessidade de melhorias, não apenas na hotelaria nacional, mas também em todo o setor do turismo.
Para começar, o Brasil não possui quase nada de hotelaria de luxo. O que temos, atualmente, são muitos hotéis que cobram alto e que não entregam os mesmos serviços de um hotel de luxo no exterior, e que geralmente cobram bem menos. Hotéis considerados de luxo, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, são apenas upscale nos EUA e em países da Europa.
Se avaliarmos o tamanho do Brasil, há poucas bandeiras “de luxo” para atender a uma demanda grande e atual. As principais bandeiras que atendem esses clientes não estão no país por conta do chamado “custo Brasil”.
Além disso, faltou planejamento e investimento por parte do governo para que o setor estivesse mais à frente, contando com serviços modernos e soluções inovadoras. O setor hoteleiro no Brasil anda estagnado há muito tempo, sem inovação ou novidades.
Ha quatro anos, quando foi anunciado que o país sediaria os Jogos Olímpicos e a Copa, foi quando os profissionais hoteleiros e os investidores viram a necessidade de melhorias nessa área. Infelizmente, muito tarde para se equiparar aos padrões internacionais, e por essa razão os preços também dispararam e são cobrados valores muito acima do real.
Ainda que faltem hotéis de luxo e investimento nessa área, o que vemos é a falta de escolas e base de conhecimento para muitos profissionais do setor. Atualmente, a infra-estrutura hoteleira é reduzida, não há inovação e o que surpreenda os hóspedes.
Um clássico exemplo é o wi-fi, cobrado na maioria dos hotéis brasileiros e disponível gratuitamente na maioria das ruas e dos hotéis de cidades como Nova York. É claro que ainda nem todos os lugares disponibilizam o serviço gratuitamente, mas poderíamos sair na frente e já disponibilizar este serviço sem custo algum aos hóspedes.
Outro problema é a língua. Muitos brasileiros não falam inglês, na verdade apenas 5% dominam o idioma, de acordo com levantamento feito pelo British Council. Isso faz com que seja difícil a comunicação dos turistas nos hotéis e nas cidades, que também não contam com placas informativas em inglês.
Ainda há a falta de moeda nacional disponível para saque nos bancos, falta de guias turísticos, entre outros. Ou seja, falta estrutura para o turismo nacional, não apenas novidades na hotelaria, mas também novidades em todas as áreas que envolvem o turismo.
O necessário é estudar diferentes perfis de turistas, para conhecer melhor as culturas e saber como recebê-los de forma adequada, sempre surpreendendo positivamente. Ainda é preciso investir em educação hoteleira, formação de profissionais e seguir novas escolas do conhecimento, modernizar e se inspirar em modelos internacionais de sucesso. Só assim poderemos nos equiparar aos padrões internacionais de hotelaria.
 
Por Patrick Vaysse / Vaysse Consultoria
 
(Fonte : Monitor Mercantil)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

VOAR É ESTRATÉGICO PARA O DESENVOLVIMENTO


Por Eduardo Sanovicz


Falar de transporte aéreo no Brasil hoje significa dizer que o avião se transformou em um grande meio de transporte de massa e, por consequência, um grande empregador direto e indireto, com aproximadamente 984 mil trabalhadores, e fundamental para o crescimento econômico. O setor contribui com cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo recente estudo da International Air Transport Association (Iata), feito em parceria com a Oxford Economics. Voar, portanto, é integrar o país e estratégico para o seu desenvolvimento.
No ano passado, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), 86 milhões de passageiros usaram o modal aéreo como meio de transporte, 70% mais consumidores do que cinco anos antes e mais do que o dobro em uma década. Seu crescimento foi tão expressivo que, desde 2010, mais brasileiros embarcam a partir de aeroportos do que de estações rodoviárias - cerca de 67 milhões em viagens interestaduais em 2010, número em queda nos últimos anos, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Números da Iata mostram que o Brasil, hoje, já tem o quarto maior mercado aéreo doméstico, menor apenas que Estados Unidos, China e Japão, cenário que era previsto apenas para 2014. Tal crescimento se dá por inúmeras razões e, vale frisar, é amplamente inclusivo. Além do aumento da renda do brasileiro, outros fatores vêm permitindo que mais pessoas passem a se deslocar de avião: preços menores, acesso direto a canais de venda, viagem mais rápida, melhores condições de pagamento, maior oferta de voos, e programas de milhagem, entre outros.
É preciso obter condições para que o sistema aéreo seja mais competitivo, ampliado e modernizado
Face não menos importante do transporte aéreo é seu papel na distribuição de produtos de alto valor agregado e tecnológico e baixo peso. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a corrente de comércio brasileira em 2011 chegou a US$ 482,2 bilhões, sendo que 10,5% desse valor foi transportado por via aérea.
Ao mesmo tempo, são muitos os desafios que as companhias aéreas - e o setor, de um modo geral - enfrentam para sustentar e ampliar esse quadro, seja no transporte de pessoas ou de cargas. A revisão do cálculo do preço do querosene em nosso país, para reduzir os custos do setor, é tema hoje fundamental, visto que ele chega a impactar em até 40% no valor da passagem. Cálculos do Iata mostram que no Brasil o preço dos combustíveis são, em média, 12% maiores que na América Latina e 17% superiores quando comparados à média global.
Outras questões, urgentes de discussão, são a desoneração fiscal das empresas aéreas por meio da redução dos encargos sobre folha de pessoal; a política de tarifação aeroportuária e aeronáutica; a revisão da política alfandegária no que se refere à importação e exportação de equipamentos e serviços-reparos aeronáuticos (custos e procedimentos).
Por fim, mesmo com o aumento extraordinário no número de passageiros nos últimos anos, apenas 130 cidades recebem voos regulares, segundo dados da Anac. Entretanto, 79% da população brasileira mora hoje a menos de 100 quilômetros de distância de um dos 129 aeroportos com oferta de voos comerciais. Conta com nosso apoio a iniciativa do governo federal de ampliar o número de aeroportos e também de cidades atendidas pela aviação civil regular.
O crescimento no volume de passageiros também passa pelo barateamento dos bilhetes aéreos que ocorreu nos últimos dez anos, quando os preços caíram pela metade. Ainda assim, nosso país está na terceira posição, entre outros 139, no que diz respeito a impostos de ingressos e taxas aeroportuárias, segundo as estatísticas do Fórum Econômico Mundial 2011 e o Relatório de Competitividade do Turismo.
Uma das consequências é que o brasileiro faz cerca de 0,31 viagem aérea por ano, número abaixo de outros países com características semelhantes, como o México. Para que alcancemos patamares superiores, é preciso obter condições para que o sistema aéreo como um todo seja mais competitivo, além de ampliado e modernizado.
Nosso grande compromisso é com quem viaja de avião. Entendemos que ganhos em escala garantem, na ponta, passagens e serviços mais baratos, beneficiando sobremaneira o consumidor.
Tais medidas, se discutidas e implementadas, terão reflexo imediato no desenvolvimento do setor aéreo e da atividade econômica de maneira geral, contribuindo de forma direta para a geração de novos empregos e renda. Irão possibilitar, também, que se mantenha o ritmo de inclusão dos novos consumidores no modal aéreo, o que é fundamental para um país continental como o Brasil, onde esse tipo de transporte pode encurtar distâncias.
Além de passageiros e cargas, é graças à aviação que muitas vidas são salvas. De acordo com o Ministério da Saúde, só neste ano já foram transportados gratuitamente pelas empresas aéreas brasileiras mais de 2.880 órgãos, fato pouco divulgado, mas de extrema importância para milhares de brasileiros.
É neste cenário que nasce a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), formada pelas cinco maiores companhias brasileiras: Avianca, Azul, Gol, TAM e Trip. Com a experiência de cinco empresas que empregam mais de 57 mil pessoas, dispõem de mais de 450 aeronaves e fazem cerca de 2.700 voos diários, a associação buscará contribuir para modernizar o setor aéreo brasileiro, em permanente diálogo com o poder público, a iniciativa privada, entidades de classe e o público consumidor.
Somadas, Avianca, Azul, Gol, TAM e Trip representam a quase totalidade da oferta de voos no Brasil. Juntas, elas se transformam agora em ator importante na discussão de medidas que de fato tornem o Brasil um player relevante no mercado aéreo mundial.

Eduardo Sanovicz, presidente da Abear, foi presidente da Embratur, responsável pela implantação do Plano Aquarela e pela criação da Marca Brasil

(Fonte : Jornal Valor Econômico)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MICRO E PEQUENAS EMPRESAS E A NOVA ECONOMIA


Por Ana Maria Magni Coelho



O ano é 2022. Há no Brasil cerca de 1,8 milhão de micro e pequenas empresas (MPE) do setor de serviços, de um total de cinco milhões de MPEs - isto se considerarmos apenas as empresas participantes do Simples Nacional. De 2012 até aqui, o percentual de crescimento foi de 33%, o que retrata a realidade de um setor que se reinventou. A partir da robustez que já existia há dez anos - com participação em 56,1% do PIB, segundo o IBGE, a dinâmica do setor criou novos modelos de negócios, novas estratégias de atendimento, com espaços cada vez maiores de co-criação com os stakeholders, além de necessidades de consumo difíceis de imaginar há uma década. Quem pensou em uma vida igual à da família Jetson, o famoso desenho futurista, talvez tenha que esperar um pouco mais para ver os carros voando pelas ruas, mas o conceito e a aplicação das smarties cities em 2022 já trazem excelência em mobilidade, segurança, além de diversos e-services que não conceberíamos existir.
O comportamento inovador e participativo no jeito de consumir também criou demandas que exigiram soluções criativas para segmentos como automotivo, beleza, saúde, bares e restaurantes, turismo, economia criativa e digital. Só para citar a vasta diversidade de empresas de serviços atendidas pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae). O setor empregava em 2012 cerca de quatro milhões de pessoas. Sem falar dos Empreendedores Individuais (EI) que chegaram a quase 900 mil, de um total de 2,5 milhões. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais/2010). Em dez anos, as empresas mais competitivas já incorporaram as melhores práticas de negócios sustentáveis - preconizados anos antes na Rio+20 e Rio92 - inovando em processos, produtos e mercado sempre com foco na contínua melhoria de sua produtividade e na qualificação de pessoas.
Aliás, é o fator humano que confere aos serviços a intangibilidade de que tanto se fala. Para se ter ideia do que isso significa há exemplos clássicos: quanto custa um corte de cabelo? Qual o valor de um pacote turístico? Quanto se paga por um almoço em São Paulo? Quanto custa um show de MPB? As respostas dependem da qualidade do serviço prestado, da pessoa por trás da ação, do valor percebido pelo cliente - que participa diretamente no contexto e no ambiente da prestação do serviço - e que pode escolher entre pagar R$ 30 ou R$ 300 para cortar as madeixas, digamos. Agradará mais a empresa que proporcionar ao cliente uma inesquecível experiência de consumo. Relacionamento é a palavra de ordem.
Vale lembrar que muitas vezes a prestação de serviço está associada a um produto. Ao falarmos em serviços, não nos referimos apenas a um setor da economia, mas um valor cada vez mais transversal e determinante na competitividade de vários outros setores. Duvida? Voltemos, então, ao ano de 1961. No clássico americano Breakfast at Tiffany"s, traduzido no Brasil como Bonequinha de Luxo, Audrey Hepburn, a protagonista que vive uma garota de programa, visita a joalheira Tiffany"s nos momentos em que sente que algo não vai bem em sua vida. "Nada muito ruim poderia acontecer com você lá". Na única vez em que entra na loja para comprar, pede ao vendedor algo em torno de US$ 10. Há opções, mas o casal protagonista não encontra "algo romântico" por este valor. A solução vem de um atencioso vendedor: contrariando as regras da empresa, ele grava a inicial dos apaixonados no anel recebido como brinde em um pacote de biscoitos. O vendedor - uma pessoa qualificada, flexível e com capacidade de se adaptar - oferece aos clientes uma experiência única e que atende ao seu desejo. De lá para cá muita coisa mudou: nascida em 1837, talvez a loja ainda exista pela capacidade de inovar no atendimento, no modelo de negócio e de se adaptar às mudanças sociais e tecnológicas das últimas décadas. E essas regras valem para os pequenos negócios também.
O contexto também muda a cada dia. Entretanto, persiste o desafio de integrar os negócios tradicionais ao universo de uma nova economia. De acordo com dados do Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br), 61% das MPEs não têm sítio na internet. O número é mais alarmante quando tratamos exclusivamente das microempresas: 73% estão fora da rede. Quando se fala de presença digital, o setor de turismo é dos que mais avançou. O agente de viagens deixou de ser a única fonte confiável para indicar destinos, viagens, passagens. A maioria das transações pode ser feita on line. Entretanto, quando o cliente decide visitar uma agência física de turismo, ele deseja mais que um roteiro de viagens. Ele quer um serviço. Serão competitivas e diferenciadas as empresas que entenderem que turismo, tecnologia, vendas, qualidade e inovação fazem parte de um novo jeito de empreender: o jeito de servir.
Não dá para colocar o pé no freio e retardar as mudanças experimentadas até aqui. Sairão vencedoras as empresas criativas, inovadoras e que apostarem no capital humano - associado a um cardápio de novas tecnologias disponíveis - como diferencial competitivo capaz de alavancar sua participação no mercado e, por conseguinte, impulsionar a economia nacional. É preciso reconhecer um universo criativo e digital capaz de gerar negócios perenes e de distribuir riquezas. O novo empreendedorismo tem tudo a ver com prototipagem, aceleração, modelos menos rígidos de relacionamento e gestão. As chamadas startups, empresas nascentes intensivas no uso tecnologia, são ótimos exemplos dessa realidade. Estamos prontos! Em dez anos, a economia será completamente transformada por novos modelos de negócio. O ano, na verdade, é 2012. O futuro é agora.

Ana Maria Magni Coelho é gerente do Sebrae Nacional. Pedagoga com especialização em Coaching Executivo, tem MBA em Gestão de Projetos e Gestão Empresarial. Também é pós-graduada em gerente de Cidades e Gestão do Conhecimento e Capital Intelectual.

(Fonte : Jornal Valor Econômico)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

COPA DO MUNDO À VISTA: VAMOS PENSAR NA OTIMIZAÇÃO DA AVIAÇÃO CIVIL ?


Por Giovane Cesar

Viajar de avião está se tornando cada vez mais popular. Muitos fatores corroboram com este fato. Passagens mais baratas, maior renda das classes mais baixas, facilidades de pagamento etc. Como o Brasil é um país de grandes distâncias, nada mais natural, pois viagens longas são desgastantes, desagradáveis e não necessariamente baratas. As estatísticas da aviação civil no Brasil são impressionantes: somente em 2011 foram feitas mais de 1,7 milhões de decolagens domésticas transportando mais de 150 milhões de passageiros. O crescimento do movimento em relação a 2010 foi de 9,5%.
Além de passageiros, o transporte aéreo de cargas também está crescendo consideravelmente. Em 2011 foram transportadas mais de 600 mil toneladas de carga, o que representa um crescimento de 14,9% em relação a 2010. Diferentemente do transporte de cargas rodoviário e ferroviário, o transporte aéreo de cargas é muito rápido e voltado para as cargas prioritárias com validade muito curta como, por exemplo, o transporte de jornais e documentos.
O crescimento do uso do transporte aéreo é evidente, mas o crescimento da infraestrutura e da capacidade de atendimento não está conseguindo acompanhar a demanda. Poucos aeroportos, capacidade esgotada, torres de controle insuficientes, planejamento pouco eficiente das rotas de voo e o mau aproveitamento da força de trabalho têm trazido uma grande preocupação para todo brasileiro: "Imagina como será na Copa do Mundo". Com a aproximação dos dois grandes eventos internacionais, que irão acontecer em 2014 e 2016, é necessária uma mudança drástica de cenário. Os governos federais, estaduais e municipais estão fazendo o que podem sobre este assunto, principalmente nos programas PAC e PAC2, mas as empresas aéreas também devem buscar formas de melhorar a eficiência de suas operações.

COMO A OTIMIZAÇÃO MATEMÁTICA PODE AJUDAR?

Dentre os benefícios possíveis que uma solução de otimização matemática pode oferecer a uma empresa de viação aérea estão: aumento de eficiência operacional, redução de custos sem prejudicar o conforto e a qualidade de atendimento aos passageiros e, principalmente, um melhor aproveitamento da infraestrutura disponível. É importante ressaltar que, ao conseguir tirar melhor proveito da infraestrutura disponível atualmente no país, as empresas aéreas passam a ser capazes de aumentar o movimento médio em suas aeronaves.
A otimização matemática pode ser usada para montar rotas eficientes que maximizem o uso das aeronaves, por exemplo, definindo quando devem ser usadas as aeronaves de mais capacidade de acordo com a projeção de demanda e os destinos seguintes. Esse tipo de melhoria é importante, pois não adianta uma aeronave com capacidade para 200 passageiros ir lotada para um destino sem que tenha outro uso para esta logo em seguida. Um modelo de otimização e uma boa projeção de demanda podem gerar roteiros e escalas mais eficientes.
Outra possibilidade de aplicação da otimização é em relação ao melhor aproveitamento da equipe de funcionários. A criação de um modelo matemático que leve em conta leis trabalhistas e determinações da ANAC sobre escalas de funcionários possibilitaria a criação de mapas de escala para equipes de solo e de voo mais eficientes, gerando um melhor aproveitamento das equipes disponíveis além da redução de custos. Dessa forma, cada funcionário seria alocado nas rotas de maneira a ficar o tempo correto no exercício de suas funções e, no caso de equipes de voos, de maneira que terminem seus turnos em locais que facilitem o retorno para seus respectivos lares.
Este é apenas mais um cenário onde a otimização matemática pode gerar grandes resultados para as empresas, tanto em aumento de produtividade quanto em redução de custos. Com a crescente necessidade da eficiência operacional, a otimização é uma solução para as empresas preservarem seus mercados.

Giovane Cesar - Gerente consultor sênior de otimização na eWave do Brasil. Já atuou em grandes empresas como o banco Itaú e a America Latina Logística – ALL

(Fonte : Portal Administradores)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PATRIMÔNIO NATURAL E TURISMO SUSTENTÁVEL

Por Julio Serson *


A propaganda oficial tem apresentado o Brasil ao mundo com lentes superlativas desde os anos 1970. Nosso país possui a 5ª maior extensão territorial do planeta, a maior faixa litorânea, assim como a maior reserva em biodiversidade (a Floresta Amazônica), além de clima tropical e mais de uma dezena de localidades declaradas patrimônio mundial ou natural da humanidade, como as Cataratas do Iguaçu e o Pantanal. Recentemente, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada Patrimônio Mundial pela Unesco, na categoria paisagem cultural urbana. Sol e praia, ecoturismo e turismo de aventura representam os principais atrativos buscados pelo turismo de lazer dos estrangeiros no país. E o Rio de Janeiro está no destino de 27% deles.
Nesses 40 anos, o aumento do fluxo de turistas estrangeiros ao Brasil conheceu aumento exponencial. Passou de pouco mais de duas centenas de milhares para quase 5,5 milhões em 2011, conforme o Anuário 2012 do Ministério do Turismo. Mas se observarmos a receita cambial gerada pelo turismo no mundo (US$ 852,4 bilhões), toda a América do Sul fica com uma parte muito pequena e movimenta volume de dinheiro menor que as ilhas caribenhas. Em 2009, foram US$ 18 bilhões, contra US$ 22,4 bilhões, respectivamente. No país, apesar de o montante estar crescendo, ficou em menos de um quarto em relação ao Caribe em 2009 — US$ 5,3 bilhões.
É o caso de perguntarmos em que temos falhado em nossas políticas na área do turismo. Com tamanho potencial, parece que ainda não saímos do equivalente ao jardim da infância na definição de estratégias que sejam integradoras e capazes de promover o turismo de maneira competitiva e sustentável, envolvendo governos (locais, regionais e nacional), empresários e as comunidades.
Estamos às vésperas dos dois mais importantes eventos esportivos do globo — a Copa Mundial de 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016 —, e o principal programa para a revitalização da região costeira, o Projeto Orla (conduzido pelos ministérios do Meio Ambiente e do Planejamento), ainda não conseguiu ir muito além da fase de interlocução com os municípios e do campo reivindicatório (por verbas e medidas). E já faz 12 anos que ele foi lançado.
É um desperdício, pois o Projeto Orla introduz a perspectiva da sustentabilidade no desenvolvimento do potencial turístico dos municípios litorâneos, procurando convencer os agentes públicos e a sociedade a saírem da visão econômica unilateral e a desenharem ações integradas, que disciplinem o uso e a ocupação do espaço de forma a proteger o grande patrimônio local (e nacional) que reside nas praias.
É preciso definir os limites e tipos de ocupação e uso, a produção e destinação dos resíduos sólidos (especialmente do lixo), o abastecimento e tratamento de água, o tratamento de esgoto, a criação de equipamentos mais sustentáveis, a implantação de ciclofaixas, a criação de serviços de atendimento ao turista por meio da capacitação da mão de obra local, e, finalmente, disseminar uma cultura de valorização de todo esse patrimônio.
Somente por meio do compartilhamento da corresponsabilidade de todos os envolvidos com a localidade, e tendo nos governos estaduais e federal a adesão efetiva e o apoio indispensável em termos dos instrumentos legais, recursos físicos, financeiros e humanos necessários, programas como esse poderão resultar em conquistas concretas.
A perda do capital natural no país pode se tornar uma tragédia nacional em médio e longo prazo, não apenas pelos efeitos que vai causar sobre o clima, a economia e ao bem-estar humano, mas pela dilapidação de um potencial turístico privilegiado, mas ainda tratado de maneira displicente, desorganizada e pouco competitiva. Não à toa, grande parte da cobertura vegetal nativa da região litorânea se perdeu nas regiões Sul e Sudeste, na quase extinta mata atlântica, da qual restam apenas 12% em todo Brasil. A Amazônia e o Pantanal registram perdas de 15% cada.
Portanto, muitas são as razões que justificam abraçarmos a sustentabilidade como norte dos projetos da nação. O turismo agrega mais peso a essa visão, não apenas porque depende da sustentabilidade, como precisa ser sustentável para sua própria sobrevivência, buscando "eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica", tríade defendida por estudiosos brasileiros da área.

* Julio Serson é Presidente do Grupo Serson, vice-presidente de Relações Institucionais do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) e ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP)

(Fonte : Jornal Correio Braziliense)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A GANÂNCIA DAS COMPANHIAS AÉREAS


Por Marcelo Rubens Paiva

A ANAC abriu ontem audiência sobre acessibilidade. Instaurou audiência pública sobre proposta de revisão da resolução de 2007 que dispõe do acesso ao transporte aéreo de Passageiros com Necessidade de Assistência Especial.
Os interessados poderão enviar contribuições no site www.anac.gov.br  até 5 de setembro de 2012, além de participar de audiências presenciais, cujos horários e locais serão oportunamente anunciados.
A agência quer transferir aos operadores aeroportuários – Infraero e as concessionárias dos aeroportos privados – a responsabilidade pelo transporte dos passageiros com necessidades especiais, pessoas com mais de 60 anos, gestantes, mães com crianças de colo e menor desacompanhado, as chamadas PRIORIDADES.
Quer também ampliar a rede de ambulifts - espécie de van-elevador que leva a prioridade para aviões não estacionados em fingers.
Só há ambulifts no Brasil em 4 aeroportos: Guarulhos, Congonhas, Brasília e no Galeão.
Acompanhantes indispensáveis ao deficiente podem ter 80% de desconto na passagem. O mesmo desconto se aplica ao excesso de bagagem da pessoa com necessidades especiais, quando a bagagem incluir equipamentos médicos ou ajuda técnica fundamental.
Porém, segundo a Folha, a ANAC quer o fim de reserva da 1ª fileira para grávidas e deficientes.
“Uma proposta da Agência Nacional de Aviação Civil quer acabar com a reserva das três primeiras fileiras dos aviões para gestantes, idosos e deficientes. A minuta da resolução, aberta para sugestões desde ontem no site da agência, libera as companhias para acomodarem esses passageiros em qualquer área, desde que em assentos no corredor e com braços móveis ou removíveis”, diz o jornal.
Primeiro, tem lógica colocar no fundo da aeronave exatamente quem precisa de auxílio para se locomover?
A desculpa: concentrar passageiros com necessidades especiais nas três primeiras fileiras, como se faz hoje, não seria a opção mais segura em caso de emergência, melhor espalhá-los pela aeronave perto de outras saídas.
Espera lá.
Numa emergência, na pressa, a tripulação saberá onde estão aqueles que precisam de auxílio? Concentrar na frente não é uma forma de identificá-los e ajudá-los?
Na verdade, a proposta esconde a vergonhosa prática das empresas, que se utilizam de regras de evacuação emergenciais, para cobrar mais pelos assentos mais espaçosos, o chamado ASSENTO
CONFORTO
Aquilo que existe para salvar vidas, espaço perto das portas de emergência, serve para dar lucro às empresas
Pelo raciocínio, quem paga mais tem direito aos primeiros lugares na evacuação.
Raciocínio mórbido.
Seria como cobrar de passageiros o assento garantido em botes salva-vidas, caso haja pouso no mar. Os bilhetes mais baratos só dão direito a coletes.
Outra regra polêmica é a de estabelecer um máximo de 2 passageiros que não podem se mover sozinhos para cada avião.
Algo subjetivo que pode criar confusão e, em tempo de PARAOLIMPÍADAS, inviabilizar os jogos no Rio de Janeiro.
É melhor a ANAC pensar direitinho no que propõe e é proposto.
E saber identificar a ganância do mercado.

Marcelo Rubens Paiva é escritor e assina uma coluna no Jornal O Estado de S. Paulo

(Fonte : Jornal O Estado de S. Paulo )

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

TURISMO, IMPORTANTE VETOR DA ECONOMIA BRASILEIRA

Por Gastão Vieira


Os recentes investimentos técnicos e financeiros do governo federal e da iniciativa privada no turismo colocaram o setor em uma posição estratégica na economia nacional. Foram registrados sucessivos recordes em desembarques domésticos, internacionais e entrada de divisas. A atividade tem se consolidado como importante alavanca para o desenvolvimento social, geração de empregos, estímulo à sustentabilidade ambiental. Hoje, exibe credenciais indiscutíveis como alternativa para o país dar uma resposta rápida e eficiente à desaceleração da economia mundial.
Essa representatividade vem em um momento de grande otimismo. A atividade cresceu, em 2011, 6%, o dobro da média mundial, de acordo com dados do World Travel & Tourism Council. Nunca se viajou tanto pelo país - e o aumento da renda média dos cidadãos não é a única razão. O Brasil soube fortalecer a competitividade de seus destinos turísticos, com diversificação de produtos e a qualificação de bens, serviços e mão de obra. A partir de uma gestão descentralizada, com a participação de entes públicos e privados, definimos como prioridade elevar a participação do setor na economia. Hoje, ela gira em torno de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo levantamento do IBGE.
Temos potencial para esse desenvolvimento. Belezas exuberantes e nosso tradicional litoral de sol e praia não são as únicas atrações que levam o turista a arrumar as malas e colocar o Brasil na bagagem. Outros segmentos ganham importância e já demonstram uma estruturação cada vez mais perceptível, como o ecoturismo, o turismo de aventura, náutico, de negócios e cultural. Com o trabalho de integração que está sendo feito pelo ministério com Estados e municípios, eles também têm ganhado identidade no produto turístico nacional
Ao ser alçado como prioridade, o setor recebe investimentos cada vez mais representativos em eixos estruturantes, que permitem superar os entraves do crescimento. A infraestrutura é um deles. Após aportes que ultrapassaram R$ 10 bilhões nos últimos anos, o ministério tem previsto o orçamento de R$ 2 bilhões para essa área em 2012. Com a proximidade da Copa de 2014, as iniciativas da pasta estão focadas em acessibilidade, sinalização turística e implantação de centros de atendimento ao turista nas 12 cidades-sede da competição.
A iniciativa privada tem feito sua parte e aposta na continuidade do desenvolvimento. Só nos cinco primeiros meses de 2012, os bancos públicos concederam R$ 3,89 bilhões em crédito para empresas do setor turístico. O leque de atuação é amplo e inclui o esforço para abertura e liberação de linhas de crédito especiais para o setor, com benefícios diferenciados, principalmente para empreendimentos sustentáveis. Só para a hotelaria, há R$ 1,5 bilhão contratado atualmente nos bancos oficiais do governo.
O Plano Brasil Maior também traz novidades. Uma articulação do ministério junto à equipe econômica do governo possibilitou a inclusão da hotelaria no plano de desenvolvimento. A desoneração tributária é significativa e certamente representará um novo ciclo na geração de empregos do setor. A contribuição de 20% sobre a folha de pagamento foi substituída pela alíquota de 2% do faturamento bruto dos empreendimentos. Como contrapartida, o governo espera a redução da tarifa final ao consumidor - medida que será fundamental para estimular brasileiros e estrangeiros que desde já planejam sua vinda para a Copa e para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Também está em análise a redução de impostos incidentes sobre a importação de produtos sem similares nacionais para parques temáticos, aquários e museus. Os atrativos utilizam tecnologia que vem de fora e precisam de incentivos para modernizar equipamentos. Eles fazem parte deste novo produto turístico em desenvolvimento, pactuado com os princípios de sustentabilidade. São atrativos diferenciados, que contribuem para a valorização do patrimônio histórico-cultural dos destinos e a preservação da fauna e flora em espaços essenciais para a conservação dos ecossistemas de nosso país.
O Ministério do Turismo abriu interlocução com o Ministério de Minas e Energia para estudar uma ação que também busca a desoneração da atividade hoteleira. Neste caso, a tarifa energética está em questão. O objetivo é diminuir as taxas para que os empreendimentos se comprometam a implantar matrizes energéticas mais eficientes e sustentáveis. Novamente, o turista constataria o impacto em curto prazo, com preços mais baratos em sua hospedagem.
A cadeia produtiva espera ainda benefícios a partir da implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que produzam variações de patrimônio (Sisconserv). Existe a possibilidade de incluir bens e serviços do turismo que são consumidos por estrangeiros em território nacional no item exportações. Desta forma, o setor teria sua real representatividade, ganhando novo posicionamento em investimentos com custos mais baixos e participação em ações comerciais com outros países.
O governo federal é sensível a estas questões e tem priorizado investimentos para impulsionar a atividade. Pelas projeções da Organização Mundial do Turismo, o setor deve crescer, em média, 3,3% por ano até 2030. O objetivo é que o Brasil acelere sua trajetória e ocupe um lugar entre as três maiores economias do turismo mundial em 2022, com consequente ganho de musculatura e representatividade no PIB interno.

Gastão Vieira, advogado, é ministro do Turismo

(Fonte : Jornal Valor )

terça-feira, 31 de julho de 2012

EMBRATUR RESPONDE A ROBERTO DULTRA SOBRE CHARTERS


O diretor de Mercados Internacionais da Embratur, Marcelo Pedroso, enviou, no ultimo dia 26, artigo em resposta ao posicionamento de Roberto Dultra, ex-presidente da Bito e do Rio CVB, em relação ao Programa Voo Direto (da Embratur), de incentivo aos charters. Dultra argumentava que o gasto de dinheiro público com a captação dessa modalidade de voos não beneficiava o turismo brasileiro, apenas eram ações pontuais e limitadas. Pedroso, em seu artigo, argumenta que não, que os charters são sim importantes para alguns destinos, especialmente para captação do turista intrarregional. E que o Brasil é um País para todo tipo de turista e não apenas para o A e A+, como apontou Dultra em seu artigo.

Leia a resposta de Marcelo Pedroso.

"OS VOOS CHARTERS E O TURISMO INTRARREGIONAL

Marcelo Pedroso, diretor de Mercados Internacionais da Embratur

Há poucos dias, li a crítica, neste espaço, do ex-presidente do Rio Convention Bureau, Roberto Dultra, ao programa do governo federal de apoio à divulgação de voos charters. Gostaria de utilizar este espaço para, respeitosamente, contrapor alguns dos argumentos apresentados. Em primeiro lugar, quero lembrar que o Programa Voo Direto, lançado este ano pelo presidente da Embratur Flávio Dino, visa sistematizar, de forma pública e transparente, o apoio que já era feito à divulgação de voos fretados.
Ao sistematizar esse apoio em forma de uma seleção pública, o presidente Flávio Dino não só tornou esse um programa permanente como passa a ser mais equânime o processo de disputa por apoio financeiro por parte de governos estaduais. Além do ganho em transparência, a medida tem um objetivo muito claro em termos de intensificação da promoção turística do país.
Ao incentivar voos charters, a Embratur estimula a criação de novas rotas aéreas entre o Brasil e seus mercados emissores. Por isso, um dos critérios de seleção do edital foi a diversificação das portas de entrada de turistas, afim de garantir um maior ganho com a entrada de divisas – somente nos primeiros cinco meses deste ano chegaram a R$ 3 bilhões – em todo o território nacional, tendo como ponto de partida a capacidade operacional de aeroportos internacionais e a infra-estrutura turística dos destinos que pleiteiam o recurso.
O programa Voo Direto também parte de uma premissa importante: há grande espaço de crescimento da entrada de turistas latino americanos – de curta distância. Em todo o planeta, o turismo intrarregional é responsável por mais de 80% da circulação de estrangeiros. É assim na Europa, no Sudeste Asiático e no Caribe.
Na América do Sul, tanto por razões históricas, quanto geográficas – pela Cordilheira do Andes e Floresta Amazônica –, o fluxo intrarregional de turistas sempre foi mais baixo. Somente no ano passado, nossos vizinhos latino americanos passaram a representar praticamente metade da entrada de turistas. Esse fator é importante para o crescimento como um todo. Somente teremos 10 milhões de turistas quando recebermos 7 ou 8 milhões de latino americanos.
Acredito que uma parte das ponderações de Roberto Dultra pode ser levada em conta, ao destacar que, por vezes, o recurso que entra pelo turista fica concentrado em poucas empresas. Esse é sempre um risco que deve ser combatido e a melhor arma está na diversificação de destinos, mercados e roteiros turísticos, bem como pelo estímulo a pequenas e médias empresas do setor.
Mas um problema que deve ser combatido em todas as modalidades de turismo não pode ser impeditivo para uma iniciativa importante que vem se somar a uma série de outras ações para antecipar a meta de dez milhões de turistas por ano, antes prevista para 2020. Nessa direção, a Embratur começou a analisar novas estratégias que facilitassem a entrada de estrangeiros no Brasil e auxiliassem a promover nossos destinos no exterior, ajudando a formar a imagem de um destino completo e diverso. Como no caso especifico da entrada de turistas sul-americanos, ainda proporcionalmente abaixo de padrões internacionais, apesar de termos plenas condições de aumentar esse receptivo e receber mais vizinhos em nossos destinos. Também queremos receber mais turistas de outros países e continentes, mas o foco nos países sul-americanos se deve a facilidade do acesso.
Chegamos à conclusão que, para intensificar o turismo intrarregional, muito praticado hoje na Europa, precisávamos oferecer mais opções de acesso aos turistas sul-americanos. A malha aérea atual, apesar de em ampliação, ainda é escassa. Praticamente não temos voos diretos que liguem a América do Sul a destinos no Nordeste brasileiro, por exemplo. Diante deste cenário, a Embratur criou o programa de promoção dos voos charter, uma forma de diversificar as opções turísticas no Brasil e tornar conhecidas cidades e atrativos que ainda recebem poucos turistas estrangeiros de mercados com os quais ainda não mantém conexão.
A maioria das freqüências pré aprovadas pelo Programa ligam o Chile a Sergipe e a Argentina a Alagoas e Paraíba, freqüências necessárias para regiões que não possuem nenhum vôo direto da América do Sul. Além da escassez de voos diretos, os aeroportos desses destinos tem capacidade operacional ociosa, portanto tem infraestrutura para receber esses voos, enquanto outros destinos mais conhecidos estão com aeroportos super lotados.
Na Europa, os viajantes de baixa renda optam por voos charter, porém este não é o perfil dos turistas sul-americanos. Uma vez no local para onde vão, esses visitantes geram de uma forma ou de outra desenvolvimento econômico. Seja ao fornecer um trabalho temporário a guias locais, seja ao subcontratar uma agência local para realizar um city tour, até o souvenir comprado gera renda para a população local.
Além disso, não existem somente opções de resorts all in nesses destinos, há hotéis que não contam com sistema de refeição, ou seja, em algum momento os turistas vão consumir alimentos da gastronomia local. São diversos cenários, não somente um em que não haja nenhuma forma de contribuição. Alem disto, há um conjunto de elementos que são analisados pela Comissão Técnica que está estudando os projetos que leva em conta aspectos de mercado, perfil do consumidor, capacidade e impactos positivos no destino, que permitam à Embratur aprovar apenas projetos consistentes e que podem apresentar resultados de curto e médio prazo.
O fator mais importante a ser observado é que quanto maior a demanda de passageiros nesses voos mais chances de ele se tornar uma freqüência permanente, melhorando a malha aérea para o Brasil. Esse é um dos principais objetivos da Embratur: facilitar o acesso ao país, contribuir para reforçar a imagem país diverso, e, acima de tudo, zelar para que nosso país seja um destino competitivo no cenário mundial.
Primar pela competitividade não inclui pleitear o aumento de tarifas pagas por hotéis e agências de turismo ou prestadores de serviços turísticos. Esses empreendedores já investiram na economia local, os hotéis já fizeram grandes aportes e geraram renda e aumento do número de empregos. A contribuição para o turismo e a economia local é dada diariamente.
Também não faz parte de nossos planos restringir o turismo no Brasil a um grupo de turistas das classes A e A+ da Europa ou de qualquer outro país. A imagem que batalhamos para mostrar ao mundo é a de um país diverso, que tem natureza exuberante mas também tem uma cultura única, onde é possível realizar grandes eventos. Aqui é a terra de todos, onde todas as opções de turismo estão disponíveis. Temos um pouco de tudo. É isso que queremos mostrar. Claro que os turistas que procuram o nicho do turismo de luxo também são bem-vindos, mas o Brasil tem mais a oferecer.
A Embratur é sim uma das grandes beneficiadas pelo programa dos voos charters porque por meio da entrada de turistas e da diversificação dos destinos podemos mostrar ao mundo que temos diversas opções turísticas a serem exploradas. Esse trabalho já se antecipa a visitas dos estrangeiros que virão para a Copa do Mundo Fifa 2014 e visitarão as cidades-sede. Nossa intenção é fazer com que eles pratiquem o turismo nos arredores de todas as cidades, aumentando a permanência no Brasil. Quanto mais destinos eles conhecerem, melhor para o turismo no Brasil e de nossa região."

(Fonte & imagem : Panrotas)

terça-feira, 24 de julho de 2012

ESPECIALISTAS QUESTIONAM IMPACTO POSITIVO DE JOGOS NO TURISMO



O aumento do turismo é frequentemente citado como um dos supostos benefícios que um país pode ter com a realização dos Jogos Olímpicos. Mas à exceção da agência oficial de turismo de Londres, é difícil achar alguém do setor que esteja otimista em relação aos ganhos que os Jogos Olímpicos de 2012 podem trazer ao setor na cidade.
Alguns estudos mostram que várias cidades-sede de Jogos recentes sofreram na verdade com uma queda no turismo no ano do evento e nos anos imediatamente posteriores.
Há quem sugira, inclusive, que o Rio de Janeiro, próxima sede da Olimpíada, não caia no conto do comitê olímpico e acredite que o megaevento seja capaz de turbinar o setor.
"Os Jogos não são um evento turístico. São, na verdade, uma droga poderosa que intoxica as pessoas e as faz insistir nisso sem qualquer base na realidade", disse à BBC Brasil Tom Jenkins, diretor-executivo da Associação Europeia de Operadores de Turismo (Etoa, na sigla em inglês), que prevê que o turismo local "desabará" depois do evento.
"Minha sugestão para o Rio de Janeiro é para que não caiam no conto do Comitê Olímpico Internacional", completa.
Para o secretário de Turismo do Rio, Pedro Guimarães, no entanto, o planejamento dos organizadores dos Jogos na cidade prevê o incentivo à realização de grandes eventos na cidade para permitir a utilização plena dos locais de competições e também da infraestrutura hoteleira após o término da Olimpíada.
"Acredito que o Rio estabelecerá um paradigma novo para a realização dos Jogos", afirmou à BBC Brasil.

SEM EXPANSÃO

Em uma série de estudos realizados nas cidades-sede, a Etoa vem confirmando nos últimos anos o que Londres deve provar novamente em 2012: em ano olímpico, o setor de turismo da cidade-sede encolhe em número de visitantes. Nenhuma das cidades examinadas (Pequim, Sidney, Barcelona e Atenas) apresentou expansão no ano olímpico.
Há evidências, segundo a Etoa, de que o maior evento do mundo provoca distúrbios - ou o medo deles - que espantam o turista convencional. Já os que viajam em função do calendário esportivo cobrem apenas temporariamente o buraco, que continua aberto por um bom tempo.
Barcelona, considerada um exemplo quando o assunto é legado olímpico, demorou quatro anos para retomar os níveis de ocupação hoteleira anteriores ao evento, afirma a Etoa.
Sidney, na Austrália, viu dez grandes hotéis fecharem depois dos Jogos e serem convertidos em prédios residenciais por falta de hóspedes.
Em Pequim, nos meses seguintes à Olimpíada, o desembarque de turistas caiu 20%.

FENÔMENO CONHECIDO

Em Londres, a expectativa é que a receita anual com turistas em 2012 repita o desempenho de 2011, quando eles movimentaram 12 bilhões de libras, ou cerca de R$ 36 bilhões. De acordo com a London & Partners, agência governamental de promoção do turismo na cidade, 26 milhões de pessoas devem visitar a cidade este ano.
"Considerando-se a crise na Europa, repetir 2011 é um bom desempenho", avalia Martine Ainsworth-Wells, diretora de Marketing da London & Partners, que confirma que a entidade tentou "mitigar" os efeitos negativos dos jogos sobre o setor de turismo. "É um fenômeno conhecido", reconhece.
Jenkins, da Etoa, afirma que as estimativas oficias, no entanto, são "extremamente otimistas". Ele diz que o primeiro semestre de 2012 foi melhor para o setor de turismo londrino do que o mesmo período no ano passado. "Se a estimativa oficial estiver correta, o segundo semestre será muito fraco para o setor", analisa. "Mas acho que na verdade vai desabar", prevê.
Jenkins não está só. Recentes relatórios de entidades de turismo apontam para queda na ocupação de hotéis entre 30% e 35%. "Haverá menos visitantes gastando mais. Isso é o que explica mantermos os níveis de negócios do ano passado", diz Terry Williamson, diretor de operações da JacTravel, empresa que tem em sua base de clientes agências de viagem, operadoras de turismo e sites de reservas de hotel.
Segundo Williamson, o fato de haver menos turistas gastando mais não é um bom sinal. Uma das principais razões para isso teria sido o fato de o comitê organizador dos Jogos de Londres ter bloqueado 40 mil quartos de hotel, o que provocou uma alta de preços nas unidades ainda disponíveis.

HOTÉIS MAIS CAROS

Pesquisas realizadas por diferentes sites de reservas confirmam aumentos significativos nos preços das diárias. O TravelClick apurou alta de cerca de 25% nas diárias de julho e agosto. A própria JacTravel encontrou hotéis quatro estrelas cobrando 415 libras por noite (aproximadamente R$ 1.300), ou cerca de quatro vezes o preço habitual. Já a Hotel.com registrou aumento de 104% nas diárias praticadas por hotéis de Londres para o verão.
"Alguns hotéis estão conseguindo flexibilizar as tarifas depois que o comitê organizador começou a liberar parte dos quartos que havia bloqueado e que não vai usar. Mas pode ser tarde demais", avalia Williamson.
Com menos hóspedes e a preços maiores, o setor hoteleiro pode ter salvo a própria pele. Mas outros segmentos não terão a mesma sorte. Em uma recente reportagem da revista "The Economist", a SeeTickets, empresa líder na venda de ingressos para os famosos e turísticos musicais do West End londrino registrou vendas 20% menores para o período dos Jogos Olímpicos em relação aos mesmos meses em 2011. Cerca de 10% dos turistas que visitam Londres vão ao teatro.
Há sinais, ainda, de que o preço dos Jogos será alto para a economia como um todo. Recente estudo do Citigroup em Londres afirma não haver evidência de que os Jogos sejam capazes de turbinar a economia britânica, que deveria, segundo a instituição financeira, encolher após o evento.
Embora identifique ganhos para a indústria pesada por conta da construção das locações olímpicas, a análise alerta para a queda do número de horas trabalhadas durante as competições, o que pode reduzir o ritmo da economia, entre outros potenciais efeitos negativos. "Os Jogos não são política econômica", alerta o Citigroup, que examinou 10 cidades-sede.
Ainda que estatísticas confiáveis sobre o impacto dos Jogos só venham a se tornar disponíveis em outubro, segundo a London & Partners, há sempre a expectativa de que, no longo prazo, o impacto do evento seja positivo para a cidade.
"O legado de longo prazo será, nós acreditamos, bem mais importante para o turismo britânico do que qualquer aumento em 2012. A cobertura internacional deve aumentar o número de visitantes nos próximos anos em milhões de pessoas, segundo o governo", lembra Miles Quest, porta-voz da British Hospitality Association.

(Fonte : BBC Brasil / imagem divulgação)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

SÃO PAULO PRONTA PARA UM NOVO PAPEL NO CENÁRIO MUNDIAL



Por Toni Sando

São Paulo vive um novo surto de prosperidade que lhe confere um merecido papel mais arrojado no cenário mundial – e não são apenas as estatísticas e as pesquisas de grandes consultorias que apontam essa mudança.
O perfil mais internacional do centro financeiro do Brasil é uma realidade e também uma oportunidade que empreendedores e autoridades brasileiras não podem deixar passar em branco. É hora de investir no aprimoramento de serviços, eventos, infraestrutura urbana, entretenimento, enfim, em tudo o que uma grande metrópole como São Paulo precisa valorizar para consolidar sua imagem no mundo globalizado.
As páginas de jornais e revistas, a internet e a TV, ótimos termômetros das tendências na economia e na vida cotidiana, andam cada vez mais recheadas de dados e histórias que revelam a cara da nova cidade: internacional, cosmopolita, sofisticada, múltipla. Ora é o aumento no número de vistos de residência para estrangeiros, ora os voos lotados, os ingressos esgotados para vários eventos num mesmo dia, as dezenas de shopping centers com movimento intenso e os hotéis repletos de hóspedes.
Os bairros residenciais e os eixos comerciais passam por transformações a um ritmo veloz. Mais empresas chegando, mais conglomerados internacionais transferindo suas representações regionais da Cidade do México ou Miami para a metrópole. A expressiva demanda por escritórios de alto padrão na capital paulista é um exemplo do poderio desta metrópole que, segundo estudos, só perde para Nova York em número de escritórios de multinacionais no continente americano.
O Brasil desponta no cenário internacional e a cidade detentora do maior PIB do País sai necessariamente na frente, ao cumprir sua vocação de centro nacional da indústria, finanças, negócios, entretenimento e eventos. O momento agora é de criar as bases para ampliar ainda mais a visibilidade da cidade como pólo de eventos e vetor de grandes negócios.
As condições estão aí. Do café ao capital industrial, somos agora a quarta maior entre as 22 metrópoles mundiais a receber mais investimentos estrangeiros em 2011, de acordo com levantamento da consultoria KPMG. Perde apenas para Londres, centro financeiro mundial, e para duas gigantes chinesas, Xangai e Hong Kong. Vieram US$ 8,4 bilhões para São Paulo, na estimativa da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica. Algo natural, já que aqui estão as sedes dos maiores bancos, indústrias, construtoras e consultorias brasileiras, entre outros segmentos, e uma das maiores bolsas de valores do mundo.
Uma pesquisa da revista Exame/KPMG com 74 empresas internacionais na América Latina mostrou que 68% afirmaram ter um centro de decisão dedicado à América Latina, sendo que quase a metade tem a sede latinoamericana em São Paulo – fenômeno que ganhou impulso a partir de 2007. Outro ranking, este da revista América Economia, posicionou São Paulo como a principal cidade para negócios da América Latina. Numa pesquisa com executivos, a capital paulista foi considerada a melhor plataforma para negócios no continente, só ficando atrás de Miami, que, afinal, é americana. De 2010 para cá, São Paulo passou a ter 15 novos destinos aeroportuários internacionais, totalizando 48.
Mais promissor ainda é um levantamento divulgado este mês pela PricewaterhouseCoopers, que projeta crescimento anual de 4,1%. Com isso, em 2020 São Paulo será a 13ª em produção de riquezas no mundo, com um PIB de US$ 411 bilhões, à frente de Hong Kong, Miami e Xangai. Ou seja, ganhará seis pontos em relação à sua atual posição e estará distante apenas US$ 15 bilhões em relação à 10ª colocada, Washington (US$ 426 bilhões projetados).
Tantos indicadores macroeconômicos são acompanhados por números superlativos no turismo e nos eventos. A São Paulo Turismo (SPTuris) divulgou em abril um levantamento elaborado por meio de seu núcleo de estudos e pesquisas – o Observatório do Turismo –, o qual mostrou que mais de 40% das pessoas que desembarcam no Aeroporto Internacional de São Paulo-André Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos, vêm à capital paulista a negócio e a trabalho.
Outro dado positivo revelado por essa sondagem, para o qual os empresários e autoridades precisam estar atentos, é o interesse dos turistas ou viajantes a negócios em retornar à cidade para a Copa do Mundo de 2014: 44,2% dos turistas brasileiros e quase 92% dos estrangeiros disseram que pretendem voltar nessa época.
Ao verificar a motivação secundária dos viajantes que vêm a negócios, a categoria lazer/turismo aparece em segundo lugar. Ou seja, os empresários também aproveitam a viagem para curtir a vida cultural, ir aos centros comerciais, ver desfiles de moda, feiras, shows ou à corrida de Fórmula 1 – a única em um país latino-americano. Isso tudo apesar de o real estar valorizado em relação às principais moedas mundiais.
A consulta aos passageiros revelou que a gastronomia, os atrativos culturais/entretenimento e as opções de compras são os itens que mais agradam aos visitantes. Mais de 80% dos entrevistados avaliaram essas atrações como boas ou ótimas. Ufa, as boas notícias são muitas. É mais do que o momento de investir, planejar e apostar com firmeza na São Paulo que é tudo de bom. Assentar as bases para multiplicar as oportunidades. O mundo está olhando para nós e não vai se decepcionar.

(Fonte : Mercado & Eventos - Toni Sando é presidente executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau -SPCVB))

quarta-feira, 18 de julho de 2012

EMPRESÁRIO CRITICA POLÍTICA DE CHARTERS DA EMBRATUR



Roberto de Almeida Dultra, ex-presidente da Bito e do Rio CVB, e um dos mais tradicionais empresários do turismo receptivo brasileiro, enviou ao Portal Panrotas artigo em que critica a iniciativa da Embratur de subsídio à captação de voos fretados internacionais.
Segundo ele, destino de charter ganha a imagem de destino popular, baseado em preço, e afugenta os turistas de qualidade. Confira o artigo a seguir.

"O EQUÍVOCO DOS CHARTERS

Recente reportagem dizia que a Embratur recebeu oito propostas para o Programa de Apoio a Promoção Internacional de Voos Fretados, sete de Estados da região Nordeste (Sergipe, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Bahia) e uma da região Norte (Acre). Segundo Flavio Dino, presidente da Embratur “esse programa vai estimular o incremento da malha aérea do País, visando à diversificação das portas de entrada do turista estrangeiro”. Ainda de acordo com a mesma matéria, o programa vai disponibilizar, ao todo, R$ 8 milhões para auxiliar as secretarias de Turismo a divulgar voos internacionais para seus Estados. O programa prevê também aporte para auxilio à captação de novos voos internacionais.
Ao ler essa matéria veio-me logo à cabeça a pergunta que nós, experientes empresários brasileiros do turismo receptivo internacional, já fizemos tantas vezes: por que será que a Embratur – principal entidade brasileira responsável pela promoção do Brasil no Exterior –, insiste nessa estratégia equivocada de atração de voos fretados para incrementar o crescimento do turismo receptivo internacional? Qualquer profissional experiente do setor sabe que esses programas de voos fretados não agregam nada, por razões muito simples:

1) Como o Brasil não está entre os destinos mais baratos do mundo, a Embratur tem de interferir no equilíbrio natural da lei de oferta e procura, subsidiando e/ou assumindo riscos, para atrair o interesse de uma operadora estrangeira que monte e opere um programa de voo fretado para um destino brasileiro;

2) A empresa aérea será forçosamente uma empresa estrangeira de fretamento de aviões, até mesmo porque não temos empresas brasileiras de fretamento de aeronaves de grande porte, nem nossas companhias aéreas dispõem de aeronaves para esse tipo de fretamento – voos semanais durante vários meses, incluindo nossa temporada alta (verão brasileiro) quando nosso clima tropical mais atrai os turistas do hemisfério norte, que está no inverno;

3) Os hotéis “brasileiros” que recebem esses grupos de voos fretados quase sempre são hotéis do tipo resort “all-inclusive” (importante nesse tipo de pacote), de grupos hoteleiros estrangeiros, com os quais a operadora estrangeira do programa tem maior poder de negociação;

4) Os serviços no destino brasileiro ficam praticamente limitados aos traslados aeroporto-hotel-aeroporto, com a única adição, em alguns casos, de um passeio simples do tipo city tour. Ou seja, a rigor, a operadora do programa não precisa nem contratar os serviços de uma agência brasileira de turismo receptivo, pois, pela internet ou com o próprio guia coordenador do programa, pode contratar diretamente esse serviço de uma empresa local de ônibus, bem como os guias locais que forem necessários;

5) As empresas de ônibus e guias locais certamente concordarão com preços inferiores aos praticados aqui no Brasil com agências receptivas, por diversos motivos (ociosidade da frota, garantia de fluxo de caixa, possibilidade eventual da não emissão de nota fiscal ou recibo de autônomo, etc.);

6) Os turistas estrangeiros que compram esses pacotes são, em sua esmagadora maioria, pessoas de classe média baixa, para os quais o fator determinante da compra é o preço. Ou seja, turistas que estão mais interessados em descansar do que conhecer o destino (fazer turismo local) e/ou fazer compras.

Quem é que ganha com esse programa?

1) A operadora estrangeira ganha pela inclusão de mais um produto em seu portfólio; ganha a promoção gratuita do programa, subsidiada pela Embratur ou secretaria estadual de turismo; pode até ganhar também um subsidio da Embratur (ou secretaria estadual de turismo) para a garantia da realização dos voos fretados; e ganha um lucro razoável se o programa alcançar um bom nível de vendas;

2) A empresa estrangeira fretadora de aeronaves ganha pelo fretamento;

3) O grupo estrangeiro proprietário do hotel/resort ganha pelo menos a garantia de ocupação de 90 a 100 ou até mais apartamentos durante alguns meses, com todas as consequências positivas que isso traz para o hotel.

E o Brasil ganha o que?

1) O hotel “brasileiro” recebe apenas o necessário para justificar os custos operacionais, ou seja, não vai pagar um centavo sequer a mais de impostos por essa operação;

2) A empresa local de ônibus “ganha” fluxo de caixa, mas provavelmente também não vai pagar nenhum centavo a mais de impostos por essa operação;

3) Os poucos guias que porventura sejam contratados, idem;

4) Nenhum posto de trabalho será criado no Brasil graças a essa operação.

Chegamos então à conclusão de que a única ganhadora no Brasil é a Embratur, que poderá divulgar o fato de que seu Programa de Apoio à Promoção Internacional de Voos Fretados foi responsável pela vinda de mais alguns milhares de turistas estrangeiros, engordando a importante estatística, que, infelizmente, parece ser o único objetivo da Embratur! Será que vale a pena investir R$ 8 milhões só para engordar a estatística da Embratur?! Será que o Brasil é um país tão pobre e destituído de atrativos que precisa “comprar” turistas para aumentar o fluxo de turistas internacionais?!
Qualquer empresário ou técnico de turismo com alguma experiência sabe que um destino turístico deve ser “construído” a partir da atração dos ricos e famosos, do turismo de elite. Não se trata de elitismo ou discriminação, mas simplesmente de estratégia inteligente. Onde o rico e o famoso vai, todos querem ir, mas o inverso não é verdadeiro. Uma vez estabelecida a imagem de destino frequentado pelo turismo de elite, o próprio mercado se encarrega de oferecer condições para as classes de menor poder aquisitivo e o destino se desenvolve por completo. O inverso simplesmente não acontece – destinos baratos não conseguem atrair o turismo de elite e a pecha de destino barato acaba custando muito caro. Destinos que ficam conhecidos como destinos de charters acabam “ganhando” a pecha de destino barato!

Roberto Dultra"

(Fonte e foto : Panrotas)

terça-feira, 17 de julho de 2012

O TURISMO REVISITADO




(Por Luli Radfahrer )

O turismo já foi mais surpreendente. Destinos exóticos como Istambul, Timbuctu ou o Taiti um dia viveram, como Paris ou Nova York, no imaginário coletivo por décadas, às vezes por vidas inteiras, até que um dia, em uma ocasião especial, fossem transformados em realidade.
Mesmo depois da globalização, do barateamento das passagens aéreas, da expansão das cadeias hoteleiras e da popularização dos pacotes de viagens, a perspectiva de visitar uma nova cidade em uma cultura diferente trazia consigo um componente de mistério e exploração, reforçado pela complexidade das reservas e pela mágica das poucas imagens presentes nos guias e pôsteres turísticos.
Objetos de culto e fetiche, carnês de passagens e etiquetas de identificação de malas transcendiam sua função utilitária para serem guardados em álbuns de memórias, junto a fotografias e seus negativos, sujeitos à deterioração pelo tempo.
Hoje a situação é muito diferente. A popularização de câmeras digitais, comunidades on-line e serviços de comércio eletrônico mudou dramaticamente a experiência de viajar e, com ela, o segmento de turismo, tirando de seus agentes a mística dos portadores de um código hermético. Quem sobreviveu a essa revolução silenciosa se viu forçado a assumir, conforme a necessidade, a função de consultor ou de despachante, já que as funções que realizava como intermediário desapareceram ou passaram a ser executadas diretamente.
Neste futuro pouco anunciado em que boa parte das viagens começa pelo Google, passa por dicas e fotos de turistas desconhecidos, é monitorada por aplicativos e termina registrada no Facebook, o viajante não é mais aquele ingênuo caricato. Seu planejamento começa bem antes de sair de casa e pode incluir mapas e roteiros completos, previsão do tempo, estimativas de custos, informações de acomodação, reservas, telefones de emergência e recomendações de programas.
Boa parte dessas informações é gerada automaticamente pelas bases de dados dos grandes agentes on-line ou pode ser baixada a custo zero da Wikipédia e de serviços noticiosos. Usuários de smartphone que não se assustarem com tarifas de roaming podem ter à mão centenas de aplicativos agindo como facilitadores locais.
Até mesmo os viajantes mais tradicionais, que compram quilos de guias de papel e revistas de turismo, não resistem a dar uma olhadela em fotos e mapas on-line e, sempre que possível, conferir preços e reputações dos lugares a que pretendem ir.
Hoje que há mais de 2 bilhões de pessoas on-line e quase três vezes esse volume com celulares é cada vez mais comum navegar na internet antes de fazê-lo ao vivo. Alguns comportamentos já comuns nos Estados Unidos ainda causam surpresa em países de menor infraestrutura. A maioria dos usuários do buscador Priceline.com, por exemplo, reserva hotéis a um dia da viagem, e boa parte deles depois de ter chegado ao destino.
O novo turismo, auxiliado por tecnologias digitais, tende a ser cada vez mais popular. Por mais que suas informações removam parte da mística de viajar e tragam uma sensação de déjà-vu, não se pode negar sua praticidade. É sempre válido lembrar, no entanto, que nem toda informação é confiável e nem toda foto deve ser compartilhada, ainda mais agora que TVs interativas trazem o social para dentro da sala de casa.

(Fonte : Colunista Luli Radfahrer / Folha Online)

terça-feira, 10 de julho de 2012

NOSSA META É 10 MILHÕES TURISTAS ESTRANGEIROS



(Por Flavio Dino)


Na última semana, completei um ano de gestão à frente da Embratur, o órgão do governo federal responsável por estimular o crescimento da entrada de turistas estrangeiros no país. Um desafio importante, justamente neste momento em que o turismo brasileiro ganha uma nova importância. A realização de megaeventos, como a Rio+20 e outros tantos que se aproximam, como Copa das Confederações, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, fazem com que possamos colocar o turismo brasileiro em um novo patamar.
Desde que a Embratur passou a promover os destinos brasileiros lá fora, já tivemos um crescimento de 25% na entrada de turistas estrangeiros. Agora, nossa meta é saltar do patamar de 5,5 milhões de turistas estrangeiros por ano para a marca dos 10 milhões de turistas/ano, logo após os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Além de dobrar a entrada de turistas, vamos triplicar a entrada de divisas – chegando à meta de US$ 20 bilhões.
Com a cobertura de milhares de jornalistas de todo o mundo, esses megaeventos nos possibilitam uma exposição única.
Será uma chance histórica, em gerações e gerações, de o Brasil ser comentado no mundo.
Para aproveitar essa oportunidade, a Embratur está trabalhando para diversificar a imagem do país no exterior. Além de nossos atributos de sol e praia, pelos quais já somos mundialmente conhecidos, queremos agregar nossas manifestações culturais, como música, gastronomia e artes, que são uma boa tradução da alma brasileira, que é o que mais encanta o turista estrangeiro.
Por isso, estamos trabalhando uma nova campanha publicitária do Brasil, que será lançada no próximo dia 25 de julho em Londres, pela presidenta Dilma. Nessa campanha, vamos valorizar a experiência cultural que é visitar o Brasil.
Também nas press trips – viagens guiadas para jornalistas – já temos valorizado a diversidade cultural brasileira. Nos 12 meses em que estou à frente da Embratur, foram 90 press trips – com pelo menos 300 matérias publicadas como resultado direto.
A Embratur tem trabalhado ainda para apoiar a comercialização de destinos nos diferentes estados, diversificando a entrada de turistas pelo Brasil e, portanto, descentralizando os ganhos financeiros com as entradas de divisas que, somente nos primeiros cinco meses deste ano, ultrapassaram US$ 3 bilhões.
Por isso, investimos R$ 8 milhões no Programa de Apoio à Promoção Internacional de Voos Fretados, para auxiliar as secretarias de Turismo dos estados. Também disponibilizamos, no ano passado, R$ 12 milhões para que os governos estaduais fizessem sua promoção internacional. E, este ano, vamos aplicar novamente o mesmo valor, além de R$ 5 milhões para os municípios – totalizando R$ 17 milhões este ano.
Neste tempo, também aplicamos R$ 3,8 milhões no Programa de Apoio à Captação e Promoção de Eventos Internacionais. Por intermédio de editais, a Embratur está selecionando projetos de órgãos públicos e de entidades sem fins lucrativos, para que mais eventos tragam dinheiro para a economia brasileira. Só na Rio+20, mais de R$ 70 milhões foram deixados pelos participantes nos 4 dias oficiais da conferência mundial.
São muitas ações que nossa equipe vem realizando, visando ao bom cumprimento da missão de grande envergadura a que a Embratur se dedica, servindo à causa do desenvolvimento do Brasil.

Flavio Dino, 43 anos, é presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal

(Fonte : Mercado & Eventos)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

AEROPORTOS BRASILEIROS EM PETIÇÃO DE MISÉRIA


Para contornar o fantasma do caos aéreo e preparar o país para a Copa do Mundo de 2014, o governo realizou uma licitação que concedeu a exploração do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), a partir de maio, para uma empresa sul-africana chamada Acsa, tal como mostrou recente programa da TV Folha, que vai ao ar aos domingos às 20h pela TV Cultura.
Tal empresa já administra os aeroportos de Johannesburgo e da Cidade do Cabo, além de outros oito só na África do Sul.
Mas ainda que tal empresa faça milagres a partir de maio, não seria o caso de, até lá, de tirar o aeroporto de Cumbica do estado de precariedade em que ele se encontra?
O primeiro (e mais preocupante) problema de Cumbica tem relação com a insegurança. Recentemente uma quadrilha que furtava malas foi descoberta, mas nem por isso foi instalado um sistema de câmeras para monitorar o movimento na área das esteiras de bagagem.
Se hoje quase que qualquer padaria ou pequeno comércio tem câmeras, porque é que o aeroporto internacional mais movimentado do Brasil não tem?
A quem interessa não vigiar o que acontece com as bagagens desde o momento em que elas chegam à esteira até que saem da área de alfândega?
Outro problema de Cumbica são os táxis clandestinos que são oferecidos no momento em que o passageiro passa pela aduana e entra no saguão.
Há casos em que os táxis são seguidos e interceptados por gatunos na estrada, rumo a São Paulo. Já imaginou atravessar o mundo e chegar de viagem com valores, compras, computador, máquina de fotografia, passaporte e celular e ser roubado a caminho de casa?
Outra mazela diz respeito aos preços extorsivos praticados dentro do aeroporto de Guarulhos por restaurantes e lojas, ainda mais caros do que os cobrados em São Paulo, sem dúvida hoje uma das cidades mais caras do mundo.
E há o problema do estacionamento, permanentemente lotado, a céu aberto, com carros estacionados sobre a grama e, também, caríssimo e sem um sistema confiável de monitoramento por câmeras de circuito fechado.
Finalmente, há o tempo gasto para chegar até Guarulhos, com a marginal permanentemente entupida de carros e caminhões, sem transporte eficiente conectando São Paulo ao aeroporto de Cumbica, sem sombra de obra de trem ou metrô até lá, coisa que é bastante comum nos principais aeroportos do mundo.
Sim, pode ser que a empresa sul-africana Acsa invista a partir de maio para transformar esse aeroporto num lugar menos inseguro, menos caro e menos desconfortável, com banheiros melhores etc.
Mas, antes de ficar à espera de que isso aconteça por obra de uma empresa estrangeira, será que não daria para instalar as tais câmeras para monitorar e combater a malandragem por ali a partir de já?
As autoridades, sempre tão ágeis para filmar carros em excesso de velocidade ou cometendo infrações de trânsito, não poderiam usar um pouco dessa expertise que serve para multar e atuar na vigilância dentro de locais como o aeroporto de Cumbica?

(Por Silvio Cioffi – editor Cad. Turismo do Jornal Folha de S. Paulo)