quinta-feira, 11 de agosto de 2011

AVIAÇÃO TEM PROJETO PARA ‘CENTRO DE GESTÃO PERMANENTE’, DIZ MINISTRO




O ministro Wagner Bittencourt, da Secretaria de Aviação Civil, afirmou nesta quinta-feira (11) que há um projeto na pasta para a criação de um “centro de gestão permanente” para administrar a infraestrutura dos aeroportos do país, uma “autoridade aeroportuária”.
Segundo o ministro, o centro reuniria Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Força Aérea, Receita Federal, Polícia Federal e outros órgãos que atuam nos aeroportos, com o objetivo de facilitar a comunicação entre as instituições.
“Tudo na vida é gestão. E como em um aeroporto há uma grande quantidade de instituições responsáveis. Não existe um responsável sozinho por todo o resultado. É importante que todos os órgãos envolvidos trabalhem em conjunto de forma organizada no sentido de prestar o melhor atendimento ao usuário”, afirmou o ministro.
Bittencourt participou de cerimônia de abertura da Labace 2011, feira de negócios de aviação para a América Latina, que acontece na capital paulista. Também estavam presentes o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, da Anac, Marcelo Guaranys, e o comandante da FAB, brigadeiro Juniti Saito.

CENTROS

Desde junho, seis aeroportos começaram a contar com o novo sistema de gestão chamado Centro de Gerenciamento Aeroportuário (CGA), parte das diretrizes da Secretaria de Aviação Civil, segundo informações da Infraero: os aeroportos de Guarulhos e Congonhas, em São Paulo, Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, Confins, em Belo Horizonte, e no Aeroporto Internacional de Brasília, Juscelino Kubitschek.
“Com estas ações de gestão, pretendemos melhorar o atendimento ao cliente e melhorar e agilizar as operações nos aeroportos”, disse o ministro, que também negou se tratar de um gabinete de crise. “Não é um gabinete de crise, é um centro de gestão.”
Em seguida, questionado pelo G1 sobre se há dificuldades de comunicação entre os órgãos subordinados à pasta com os que continuam sob responsabilidade do Ministério da Defesa, como o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), subordinado à Aeronáutica, o ministro afirmou que o trabalho é de parceria. “Não, pelo contrário, temos uma relação excelente com a Defesa, que nos ajuda muito. O controle aéreo é da Defesa, é um parceiro, assim como os outros órgãos ligados ao sistema aéreo”, disse.

(Fonte : Portal G1 de Notícias / imagem divulgação)

ANAC VAI REVER NORMA PARA MELHORAR ATENDIMENTO A PASSAGEIROS COM DEFICIÊNCIA


A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai rever a resolução sobre acessibilidade nos aeroportos para melhorar o atendimento aos passageiros com deficiência e mobilidade reduzida. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias que debateu o tema. A resolução está em vigor desde 2007 e traz as obrigações das companhias aéreas e da administração aeroportuária no atendimento às pessoas com deficiência.
O superintendente de segurança operacional da Anac, David Neto, afirmou que houve avanços de acessibilidade nos aeroportos, mas admitiu a necessidade de melhorias. Cadeirante, a deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) questionou, por exemplo, como os aeroportos brasileiros vão receber os atletas dos Jogos Paraolímpicos de 2016 se a atual resolução da Anac prevê que o número de cadeirantes por aeronave deve obedecer a um limite de 50% dos tripulantes de cabine.
David Neto explicou que esse limite é estabelecido por segurança operacional. Segundo ele, a resolução está em processo de revisão e as novas normas serão submetidas a consulta pública antes da publicação. "Estamos revendo a Resolução 9/07 de uma forma bastante técnica, estudando o assunto com a importância que ele merece. A Anac, as empresas áereas e as administrações aeroportuárias sabem que o assunto é importante e requer uma dedicação maior e que essa nova resolução traga melhorias nas condições de transporte desses passageiros", ressaltou.
David Neto garantiu que a fiscalização da Anac quanto à acessibilidade é firme. Desde 2007, a agência autuou empresas áereas 123 vezes e órgãos de administração aeroportuária 142 vezes por descumprimento das normas.

Melhorias

O representante da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) na audiência, Valdeci de Albuquerque, informou que o órgão trabalha com base em um plano de ação até 2013 para a plena instalação de equipamentos e serviços de acessibilidade nos 66 aeroportos administrados pela empresa, como telefones públicos, ônibus e sanitários adaptados, piso tátil e check-in acessível. Segundo ele, já foram treinadas mais de 10 mil pessoas para atender bem os deficientes nos aeroportos.
A coordenadora-geral de Acessibilidade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Angela Cunha, anunciou que o órgão vai trabalhar, junto com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), na normatização dos equipamentos complementares de acessibilidade, como as passarelas telescópicas usadas para o embarque e desembarque dos deficientes nas aeronaves.

Reclamações

Entidades ligadas aos usuários reclamaram muito do atual atendimento. Foi o caso do vice-presidente da Associação Nacional em Defesa dos Passageiros do Transporte Aéreo, Alcebíades Santini, que apontou como principais problemas hoje nos aeroportos a falta de infraestrutura e de gestão, o loteamento político de cargos técnicos e falhas na fiscalização, além da ausência de investimento tecnológico. Ele fez um apelo ao governo, às companhias aéreas e às entidades de consumidores para proporem soluções conjuntas e efetivas para mudar esse quadro.
Deputados cadeirantes, como Rosinha da Adefal, Walter Tosta (PMN-MG) e Mara Gabrilli (PSDB-SP), relataram vários das dificuldades que vivenciam no dia a dia dos aeroportos brasileiros. Eles citaram problemas e constrangimentos no embarque, desembarque e revista de passageiros e nos banheiros das aeronaves; casos de extravio de cadeira de rodas; e até a história de um passageiro cego que foi proibido de entrar na aeronave com cão-guia.
Segundo Walter Tosta, autor do requerimento da audiência, o objetivo do debate foi sensibilizar os órgãos reguladores e fiscalizadores para a implementação efetiva da acessibilidade, a fim de garantir a plena circulação da pessoa com deficiência. "Para que o deficiente possa realmente fazer uso da aeronave e de suas passagens e para que tenha um conforto e não passe por tantos constrangimentos como têm ocorrido hoje", destacou.
Tosta é autor de um projeto de lei (PL 435/11) que disciplina o uso de passarelas fingers e ambulift, usadas no embarque e desembarque de passageiros com deficiência. O texto está em fase inicial de tramitação.

(Fonte : Ag. Câmara de Notícias)

GOL RECEBE BOEING COM MOTOR QUE REDUZ CONSUMO EM 2%


A Gol recebeu o primeiro Boeing 737 Next Generation equipado com um motor que permitirá a redução do consumo de combustível em 2%, na comparação com o atual motor.
A empresa informou nesta terça-feira que o modelo da aeronave foi desenvolvido com modificações de pressão de turbina e melhorias que reduzem o arrasto, diminuindo o atrito da aeronave com o ar.
"A Gol continua empenhada em reduzir o consumo de combustível e as emissões, diminuindo ainda mais seus custos operacionais", disse o vice-presidente Técnico da segunda maior companhia aérea do Brasil, Adalberto Bogsan, em comunicado.
O novo motor CFM56-7BE é parte do pacote de melhorias de desempenho que a Boeing começou a testar nos aviões da família 737 em novembro de 2010 para reduzir o consumo de combustível.
Outras novidades focadas no uso eficiente de querosene de aviação serão incorporadas em 2012 pela Boeing, disse a Gol.
A Boeing já reduziu o consumo de combustível da aeronave 737 Next Generation de 4% a 6% desde que o primeiro avião foi entregue em 1998, completou a companhia aérea.
Na última quinta-feira, a empresa reduziu sua previsão de margem operacional para 2011 de uma faixa de 6,5% a 10% para a de 1% a 4%, citando dificuldades com altos preços do combustível e custos adicionais com treinamento de pessoal.

(Fonte : Reuters / imagem divulgação)

TAM REVERTE PREJUÍZO E LUCRA R$ 60 MI



Apesar de registrar custos mais altos e redução no preço das tarifas, a TAM reverteu o prejuízo e encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 60,3 milhões.
No mesmo período de 2010, o prejuízo foi de R$ 174,8 milhões. Mas o resultado foi 53% inferior ao do primeiro trimestre deste ano (lucro de R$ 128,8 milhões).
Para o presidente da TAM Linhas Aéreas, Líbano Barroso, o segundo trimestre é tradicionalmente o período de menor demanda para o setor.
Com promoções para estimular a demanda fora do horário de pico, a política de tarifas contribuiu para um aumento da demanda.
O resultado, porém, foi uma queda de 21% no chamado "yield" (indicador que reflete o preço das passagens), na comparação com o segundo trimestre de 2010.
Para o terceiro trimestre, Líbano espera uma recuperação de 5% do "yield" na comparação com o ano passado.
A crise financeira internacional e os possíveis reflexos na economia do país não alteraram as projeções da TAM, que prevê crescimento de 15% a 18% do setor neste ano.
No primeiro semestre, a alta foi de 21%. "Está cedo para fazer projeções", disse Marco Antonio Bologna, presidente da TAM S.A.
"Dado o cenário de tarifas acessíveis, o mercado continuará aquecido." No entanto, Bologna disse que a TAM está atenta para não exagerar na oferta de assentos.
"Não temos muita ordem de avião para receber acima da necessidade, ao contrário de outras companhias, e temos flexibilidade para ajustar a capacidade."

LATAM

O Tribunal Constitucional de Chile acolheu ontem uma queixa da PAL Airlines contra a LAN, que aguarda a aprovação de sua fusão com a TAM.
A PAL alega que um acordo da LAN com a Fiscalía Nacional Económica (órgão do governo do Chile que zela pela livre concorrência) para mitigar os efeitos da fusão é inconstitucional. O tribunal deu cinco dias para as partes se manifestarem.
A Justiça chilena, porém, decidiu não suspender, "por hora", como queria a PAL, a investigação anticoncorrencial que está sendo realizada pelas autoridades chilenas.

(Fonte : Jornal Folha de S. Paulo)

ANAC FERE SEU PARECER AO AFROUXAR NO INGLÊS



Ao deixar pilotos da TAM com nível de inglês inferior ao exigido por normas de aviação atuarem em voos internacionais, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) contrariou parecer do seu departamento técnico.
Em 18 de março, o setor da Anac responsável pelos testes de inglês foi contra pedido da associação dos tripulantes da TAM para abrandar as regras, revela relatório a que a Folha teve acesso.
Apesar do parecer, a agência deixou a TAM colocar pilotos com nível 3 (pré-operacional) de inglês em voos internacionais, desde que pilotassem só em solo brasileiro.
A medida contraria regras nacional e internacional -pilotos que atuam em voos internacionais devem ter ao menos nível 4 (operacional).
A Anac diz que não há evidência de infração e que a TAM usa um piloto a mais do que é obrigada - referindo-se a outra norma, que trata do número mínimo de pilotos -, ainda assim só sobre o Brasil.
A TAM adotou o expediente após 13,8% de seus 370 pilotos de voos internacionais terem sido reprovados no teste de inglês -foram do nível 4 para o 3. O índice mais novo é de 5,2% que, diz a empresa, inclui quem espera novo exame e os já aprovados que aguardam a licença chegar.
O país deve cumprir a exigência de inglês desde 2009, mas a TAM queria estender o prazo até 2014. A Anac, porém, considerou que a extensão "conflitaria" com ações que o Brasil adotou "frente à comunidade internacional".
AGÊNCIA NEGA DISCREPÂNCIA ENTRE DECISÕES

A Anac nega haver discrepância entre seu parecer e o aval para pilotos com inglês abaixo do exigido atuarem em voo internacional.
A agência diz que negou o pedido dos tripulantes da TAM e que permitiu à empresa usar piloto com nível 3 só se for um extra -"além do número exigido por lei"- e que voe sobre o Brasil.
A TAM diz que segue todas as leis e que passou em todas as auditorias nos últimos meses. Declarou ainda informar às autoridades internacionais quando há piloto autorizado a voar só sobre o Brasil. A ATT não respondeu.

(Fonte : Jornal Folha de S. Paulo)

BOMBARDIER VAI CRIAR ESCRITÓRIO REGIONAL NO BRASIL ATÉ O FIM DO ANO



A canadense Bombardier, concorrente da Embraer, anunciou ontem que irá abrir em São Paulo um escritório de suporte a clientes de jatos na América Latina. A previsão é que isso ocorra até o final do ano.
Segundo a empresa, as novas instalações "fazem parte do projeto global da Bombardier de fornecer a seus clientes no mundo inteiro um acesso a serviços de suporte regionais em seus próprios fusos horários e idiomas".
A frota de jatos executivos da Bombardier na América Latina é formada por mais de 475 aeronaves das famílias Learjet, Challenger e Global.
Desse total, 180 se encontram atualmente na América do Sul, sendo um grande número com base no Brasil.
"Para competir mundialmente, é necessário estar envolvido e pronto para executar o trabalho localmente", afirma Andy Nureddin, vice-presidente de serviços ao cliente e suporte de jatos executivos da Bombardier.
"Com o novo escritório, poderemos resolver mais rapidamente os problemas dos nossos clientes, atenuar os riscos para que não se transformem em problemas e melhorar ainda mais o suporte à nossa base crescente de clientes na região", disse o executivo.
A Bombardier tem hoje escritórios de suporte regional para jatos executivos e comerciais instalados em Mumbai (Índia), Tóquio (Japão), Sydney (Austrália), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Xangai (China) e Munique (Alemanha).

(Fonte : Jornal Folha de S. Paulo)

UMA ÉPOCA DE VISITA DE GRANDES ENÓLOGOS



Aproveitando a brecha existente no calendário vitivinícola de enólogos e produtores de fora, julho, no Brasil, é um dos meses pródigos em eventos de vinhos. Apesar de concordar e incentivar tais atividades por entender que proporcionam aos profissionais da área e aos consumidores - pelo menos parte desse universo - conhecer mais de perto o que existe no mercado, confesso ir a pouquíssimas. Mesmo tendo por norma não aceitar que me mandem amostras para provar, há outras maneiras de (tentar) me manter atualizado, seja em feiras ou mesmo comprando as garrafas, o que (ambas) faço habitualmente. É para mim bem mais interessante e objetivo ter um encontro com o responsável. Algumas oportunidades surgiram recentemente.
A primeira delas foi com Michel Rolland, consultor que tem uma imagem controvertida em função do filme Mondovino. Sobre isso, aliás, já me manifestei várias vezes, não só contrariando a tese que ele induz a vinhos padronizados e demasiado robustos, como ressaltando sua fundamental contribuição para a generosa oferta de bons vinhos que temos hoje, vindos de todas as partes do planeta. O trabalho que ele faz no Brasil com a Miolo não é diferente. Isso não desmerece a atuação e os méritos de Adriano Miolo, que tem a mente aberta para enxergar as vantagens de ter um assessor com tal expertise com quem possa trocar ideias - vinho não é uma ciência exata - e é competente para implementá-las. Pena que poucos produtores no Brasil tenham tal visão.
Vindo direto do Vale dos Vinhedos, Rolland passava por São Paulo, onde teria uma apresentação dos novos vinhos da Miolo. Havia passado o dia anterior reunido com a direção técnica da vinícola preparando os blends da safra 2011, tarefa que faz com extrema e quase inigualável habilidade. Eu já tinha informações sobre a excelência da safra deste ano, quando conversei em junho com Bruno Lemoine, um dos enólogos que trabalham com Rolland e a quem cabe acompanhar a Miolo. Mesmo jovens, as amostras do Merlot Terroir, Lote 43 e Sesmarias degustadas comprovam a qualidade da colheita, que, segundo Adriano e Rolland, permitiu alcançar padrão inédito, opinião que corroboro. As condições climáticas, em especial na Campanha, contribuíram muito - choveu só 50 mm na fase de amadurecimento das uvas -, mas o resultado não seria o mesmo sem o trabalho desde o início da consultoria de Rolland, em 2003.
Essa questão de vinhedos foi tema recorrente na conversa. Independentemente do cuidado no manejo das vinhas, falou-se muito sobre identificação de terroirs e o plantio de castas adequadas a cada um deles. É um avanço. Com base em alguns desses estudos, por exemplo, foram definidas as castas implantadas no projeto do locutor Galvão Bueno, na Campanha. Não é de lá, ainda, que saíram os cachos para o correto Bueno Paralelo 31, safra 2009, bebido no almoço e que está agora no mercado.
Trocando uma prosa mesclada de francês e castelhano - Michel Rolland é fluente em espanhol - para outra em (mezzo) italiano, é sempre inspirador conversar com Pio Boffa, proprietário e quarta geração da Pio Cesare, histórica vinícola do Piemonte. Prazeroso, igualmente, é compartilhar seus vinhos, entre outros o Piodilei 2008, um chardonnay fermentado em madeira, equilibrado, intenso e elegante, e o eternamente rico e complexo Barolo Ornato 2005. Com meus elogios ao branco, Boffa disse que, para se aprimorar, acertou uma assessoria "light" com Denis Dubourdieu, professor da Universidade de Bordeaux.
Com relação ao Ornato, nunca me canso de abordar o assunto "barolistas conservadores versus modernistas". Vira e mexe lembro de uma frase dele, dizendo que elabora seu barolo "com os olhos no futuro e os pés no passado", o que significa elaborar um vinho atrelado às tradições, mas sem a dureza e defeitos de antigamente. É uma das pautas futuras da coluna.
E, nesta semana, estive com Enrique Tirado, enólogo da Concha y Toro responsável pelo Don Melchor, um dos xodós da maior vinícola do Chile. Vale dizer que, dos 5 ícones da Concha y Toro, o simpático e "low profile" Tirado cuida de 3: Gravas del Maipo, syrah com 10% de cabernet sauvignon; Eolo, majoritariamente malbec de vinhas velhas da Trivento, na Argentina; e o Don Melchor. Os outros são o Maycas de Limari Chardonnay Quebrada Seca e o carmenère Carmin de Peumo, sob a tutela de Marcelo Papa e Ignacio Recabarren.
A vinda de Tirado faz parte do lançamento no mercado brasileiro do Don Melchor 2007, safra que comemora 20 anos de sua estreia e que inaugurou a categoria "premium" no Chile. Desde então, apenas dois outros enólogos estiveram na sua condução: Goetz Von Gersdorff, lendário diretor do grupo Concha y Toro, até 1991, e Pablo Morandé, um dos mais brilhantes do setor no país, que passou o bastão a Tirado em 1997.
A história do Don Melchor - nome em homenagem ao fundador da vinícola - começa pela decisão de produzir um vinho de expressão maior no Chile, na primeira metade dos anos 80. Para tanto, e mostrando que era para valer, uma comitiva foi a Bordeaux procurar o venerado Émile Peynaud, considerado o pai da enologia moderna, para buscar assessoria para desenvolver o projeto. Já em fase de aposentadoria - ele faleceu em 2004, aos 92 anos -, Peynaud indicou seu mais próximo colaborador, Jacques Boissenot, que participa de seu desenvolvimento até hoje - nas "ideias" e no blend.
A pergunta que não poderia faltar a Enrique Tirado era o que mudou desde que assumiu. Na vinificação, pouca coisa: dupla seleção de uvas, uma nova prensa vertical e macerações algo mais curtas, de 20 a 25 dias. No blend saiu a merlot, que havia sido incorporada em 1995 - até então era 100% cabernet sauvignon -, e entrou cabernet franc (entre 3% e 9%, dependendo do ano) a partir de 1999. O vinhedo é que mereceu mais atenção, mas sem grandes mágicas. Enrique fez um trabalho paciente de identificar a diversidade de características e comportamentos nos mais de 100 hectares de cabernet sauvignon, conseguindo por fim dividi-los em parcelas homogêneas que recebem tratamento específico. Ele tem, assim, uma paleta de cabernets distintos, que permite compor melhor o lote final.
A velha frase "na prática, a teoria é outra" não coube na hora da degustação. As seis safras degustadas demonstram que houve um trabalho sério e, como se fosse necessário, que Enrique Tirado não é um mero marqueteiro (aliás, é o contrário). Começamos com o 1989, que surpreende por estar bem vivo, ainda que falte um pouco de frescor e elegância. A safra 1993 já se mostrou mais clássica com bons taninos, uma boa preparação para o ótimo 1999, um tinto vibrante e compacto - bela estreia da cabernet franc. Achei que o seguinte, o 2003, ficou num patamar abaixo, faltando integração de álcool, acidez e taninos. Discutindo a questão com Tirado, talvez atinja o necessário equilíbrio com o tempo.
Nenhum senão, por sua vez, com o excelente 2007, que tem tudo em equilíbrio, com bela trama tânica. O mesmo, supostamente, pode se esperar do 2010 dadas as condições climáticas semelhantes - ano mais fresco -, segundo Enrique Tirado. Era uma amostra de barrica, jovem, portanto. Promete. Assim como o compromisso de nos reunirmos num futuro breve para mais conversa. Cada ano que passa há mais história para contar. Com vinho é assim.

(Fonte : Jornal Valor Econômico / imagem divulgação)