quinta-feira, 9 de junho de 2011

COMISSÃO APROVA SISTEMA NACIONAL DE REDUÇÃO DE EMISSÕES DE CARBONO

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Lei 195/11, da deputada Rebecca Garcia (PP-AM), que institui o sistema nacional de redução de emissões por desmatamento e degradação, conservação, manejo florestal sustentável, manutenção e aumento dos estoques de carbono florestal (REDD+).
O relator, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), foi favorável à proposta, com emendas. “O desmatamento e as queimadas respondem por mais de metade do total de emissões brasileiras de gases de efeito estufa, cifra que sobe para cerca de 3/4 quando se considera apenas o gás carbônico”, explicou. Segundo ele, o sistema ajudará a conter a perda das florestas e contribuirá para reduzir o impacto da mudança do clima.
Na prática, o sistema REDD+ vai criar uma espécie de mercado de carbono interno, que pode gerar créditos para a obtenção de financiamentos, ou gerar certificados para serem usados na compensação de emissões de gases de efeito estufa no território nacional ou em outros países.
Além da redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal, a proposta tem como objetivo a conservação da biodiversidade; a manutenção e aumento dos estoques de carbono florestal; a valoração dos produtos e serviços ambientais relacionados ao carbono florestal; e o reconhecimento e repartição dos benefícios decorrentes da implementação do sistema.

ÁREAS FLORESTAIS

A proposta considera como possíveis beneficiadas pelas políticas, programas e projetos de REDD+, individual ou conjuntamente, áreas florestais em:
- terras indígenas;
- unidades de conservação legalmente instituídas no âmbito dos sistemas nacional, estaduais ou municipais de unidades de conservação;
- áreas legitimamente ocupadas por populações tradicionais, no interior ou fora de unidades de conservação e outras áreas públicas;
- territórios quilombolas;
- assentamentos rurais da reforma agrária;
- propriedades privadas.
- outros imóveis de domínio da União, de estados ou de municípios.

Entre as propriedades privadas, o texto original incluía as áreas de reserva legal, preservação permanente (APPs) e servidão florestal, previstas na Lei 4.771/65, e de servidão ambiental, de que trata a Lei 6.938/981. Porém, emenda do relator estabelece que regulamento irá dispor sobre a inclusão dessas áreas.

INSTRUMENTOS

Outra emenda acrescenta, aos instrumentos previstos para a implementação do sistema REDD +, os planos nacional e estaduais de recursos hídricos; e o zoneamento ecológico-econômico. Outros instrumentos previstos são o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187/09); e os planos nacionais ou por bioma de prevenção e controle do desmatamento e de controle e prevenção de queimadas e incêndios florestais, assim como os planos estaduais e outras políticas e programas desenvolvidos com a mesma finalidade, em âmbito federal, estadual e municipal.

FINANCIAMENTO

O sistema REDD+ poderá ser financiado por fundos nacionais como o de Mudança do Clima; o da Amazônia; o do Meio Ambiente; e de Desenvolvimento Florestal. Os recursos também podem ser provenientes de acordos bilaterais ou multilaterais sobre clima; acordos decorrentes de ajustes, contratos de gestão e convênios celebrados com órgãos e entidades da administração pública federal, estadual ou municipal; doações; comercialização de créditos de carbono e, ainda, verbas do Orçamento da União ou privadas.

TRAMITAÇÃO

A proposta, de caráter conclusivo, seguirá para análise nas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

(Fonte : Ag. Câmara de Notícias)

EUROPA ESPERA MAIS 25 MIL TURISTAS DA AMÉRICA LATINA

A Comissão Europeia quer movimentar até mais 50 mil turistas por meio de uma nova estratégia para incentivar as viagens de lazer entre a Europa e a América Latina na baixa temporada.
"Por que deixar que os turistas da América Latina prefiram os Estados Unidos e Ásia à Europa se existe uma maior relação cultural e frequentemente familiar conosco?", questionou à Efe.
Por meio desse projeto de colaboração entre as duas margens do Atlântico, Bruxelas projeta que 25 mil latino-americanos viajem à União Europeia de outubro de 2012 a março de 2013, e que outros 25 mil europeus visitem a América Latina, especialmente entre maio e outubro de 2013, indicou a Comissão Europeia em comunicado.
Por enquanto, Espanha, Itália, França e Lituânia; companhias aéreas desses países e associações de operadores de viagens assinaram um memorando de entendimento sobre o assunto.

ENVIADO

O comissário da Indústria e Turismo europeu, Antonio Tajani, partiu na noite desta quarta-feira (8) para a América Latina, onde assinará ao menos 15 acordos com Brasil, Argentina e Chile.
As parcerias serão nos âmbitos de turismo, desenvolvimento das pequenas e médias empresas, matérias-primas e no projeto europeu espacial (Galileu).
Tajani, que vai estender sua visita até 14 de junho, terá encontros durante a estadia com os presidentes do Chile, Sebastián Piñera; da Argentina, Cristina Kirchner, e talvez do Brasil, Dilma Roussef, reunião ainda não confirmada.
A Comissão Europeia assinará individualmente com cada um dos três países latino-americanos acordos na área de turismo.

(Fonte : EFE, em Estrasburgo /França - imagem divulgação)

ANTT VAI ALTERAR EDITAL DO TREM-BALA


A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai alterar o edital do trem-bala para permitir que a empresa que receberá a tecnologia do consórcio vencedor seja escolhida em comum acordo entre o governo e os empresários. "Já está definido. Fizemos uma reunião técnica e faremos essa alteração. O que muda é o fato de a escolha da empresa não mais ser de livre arbítrio do governo", afirmou Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT, em entrevista à Agência Estado. O Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala, vai ligar São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.
Segundo Figueiredo, essa alteração do edital só não foi publicada ainda no Diário Oficial da União porque a ANTT aguarda a análise das mudanças de outros itens, a exemplo a flexibilização do traçado. Em São Paulo, a proposta em análise é a retirada do texto final do edital a citação do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, como o local da estação na capital paulista. A prefeitura defende que seja na Barra Funda, na Zona Oeste, porque tem um projeto de revitalização para o local.
"O edital fixa o Campo de Marte e abrimos a possibilidade de uma segunda estação. Estamos discutindo se vamos deixar em aberto, deixando como livre escolha do empreendedor fazer uma só estação e no lugar mais adequado", explicou. O diretor-geral ponderou que, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab já manifestou o interesse de mudar o local da estação, essa alteração deverá ser acatada.
Essa e outras alterações, como a flexibilização do porcentual de conteúdo nacional no empreendimento, serão tema de uma reunião na ANTT semana que vem, quando serão apresentadas as conclusões do grupo de trabalho responsável por essas questões. O grupo é constituído, entre outros, por representantes do Ministério da Ciência e da Tecnologia e o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Depois dessa reunião, as alterações serão publicadas no Diário Oficial.
Figueiredo considera razoável que as mudanças ocorram até 30 dias antes da entrega das propostas, ou seja, 11 de junho. Mas segundo ele, a lei permite que esse tipo de alteração, que não implica mudança no modelo do projeto, possa ser feita até 15 dias antes. A data para a entrega das propostas é dia 11 de julho, e a abertura dos envelopes para a definição do vencedor será em 29 de julho.
O diretor-geral da ANTT já adiantou, porém, que o governo não aceitará nenhuma proposta que altere "o modelo e a economia" do projeto. "Não há argumento, por exemplo, para mudar a tarifa teto", afirmou. Nas últimas semanas, empresas interessadas na licitação começaram a defender que a tarifa teto seja definida no leilão por meio de lances livres. O texto do edital estabelece que o valor máximo que pode ser cobrado para os passageiros da classe econômica é de R$ 0,49 por quilômetro, o que limita o preço da passagem entre Rio e São Paulo, por exemplo, a cerca de R$ 200,00. Ou seja, vencerá o leilão quem oferecer a menor tarifa teto.

(Fonte : Ag. Estado de Notícias)

TAM RECEBE PRÊMIO DE EXCELÊNCIA OPERACIONAL NAS AMÉRICAS


A TAM conquistou o Prêmio de Excelência Operacional nas Américas na categoria “companhia de grande porte”, pelo desempenho que obtém com as aeronaves da família Airbus A320. A cerimônia de premiação foi realizada em Toronto, durante o simpósio bienal que a fabricante tradicionalmente realiza com as empresas que utilizam os modelos A319, A320 e A321 em todo o mundo.
Esta é a quinta vez consecutiva que a companhia é reconhecida pela Airbus. Nas edições de anteriores, a companhia havia sido homenageada pelo histórico de serviços com as mesmas aeronaves, sendo eleita a melhor operadora da Família A320 da América Latina.
- Estamos orgulhosos por esse reconhecimento, que demonstra novamente a competência operacional da Tam. Empenhamos nossos melhores esforços para assegurar a confiabilidade técnica de nossa operação com a Família A320, que reúne alguns dos mais eficientes e seguros jatos comerciais da história da aviação mundial - afirma Ruy Amparo, vice-presidente de Operações e Manutenção.
A escolha dos vencedores pela Airbus é baseada na utilização média e na performance operacional das aeronaves A319, A320 e A321 nos últimos dois anos, levando em consideração as características da malha, da região atendida e da operação de cada companhia aérea. Com isso, a métrica utilizada pela fabricante é capaz de aferir, por exemplo, a qualidade de operações com diferentes graus de intensidade.
A Tam registrou em 2010 cerca de 13 horas de utilização diária dessas aeronaves (com média de 10,4 horas de vôo por dia com cada avião). A companhia, que já acumula mais de 1,8 milhão de vôos com esses modelos, alcançou quase 290 mil vôos em aeronaves da Família A320 no ano passado - uma média de 7,3 por dia com cada avião. No mesmo período, a média mundial da frota foi de 4,4 vôos por dia, com utilização diária em torno de 9,6 horas para cada aeronave (média de 8,3 horas de vôo).
A companhia é o maior cliente da Airbus na América Latina, com 143 modelos da fabricante. Só da Família A320, são 120 unidades, a maior frota da série no Hemisfério Sul.

(Fonte : Monitor Mercantil)

TURISMO DO MÉXICO IRÁ ANUNCIAR NOVAS AÇÕES PARA O MERCADO BRASILEIRO

A ministra de Turismo do México, Gloria Guevara Manzo, estará no Brasil na próxima semana para evento com o trade de turismo de São Paulo. Há dez anos um ministro do Turismo do México não vem ao Brasil para visita oficial. A quebra do jejum deve-se em parte aos ótimos resultados obtidos nos últimos cinco anos com o número de turistas brasileiros. Em 2006, o México recebeu 31.890 viajantes do Brasil, já no ano passado o número foi 268% maior: 117.659.
Em 2010, o Brasil ficou em 9º lugar no ranking mundial de emissores de turistas para o México. Se comparado a 2009 (68.219 viajantes do Brasil), o número cresceu 72,47%. Para este ano o destino espera receber 150 mil brasileiros.
“Estamos muito satisfeitos com o resultado e queremos incrementar as ações já realizadas para conseguirmos ampliar cada vez mais esses números”, observou a ministra. Devem fazer parte da comitiva da ministra ao Brasil, o diretor geral adjunto do Conselho de Promoção Turística do México (CPTM), Rodolfo López-Negrete, e autoridades das secretarias estaduais de turismo do México.

Investimentos

Para comemorar os resultados e anunciar novas ações para o trade brasileiro, o Turismo do México promoverá um coquetel com agentes, operadores e profissionais do turismo no dia 14, em São Paulo. Na ocasião, será apresentada oficialmente Diana Pomar, nova diretora do CPTM no Brasil, que assumiu o cargo no mês passado.
“Queremos posicionar o México como o destino número um dos brasileiros, incrementando o total de turistas nos principais destinos mexicanos como Cidade do México, Cancún, Riviera Maya e Los Cabos, assim como nas cidades coloniais e outras rotas mexicanas com grande riqueza cultural, artesanal e histórica”, ressaltou Diana.
Atualmente, o México investe cerca de US$ 1 milhão por ano em campanhas de publicidade institucionais, ações cooperadas e eventos de promoção. Segundo Diana, entre as ações já definidas estão o fortalecimento da relação com operadores e agentes; o desenvolvimento de novos produtos dentro da oferta mexicana e a realização de capacitações para agentes de viagem junto com as companhias aéreas que tem o destino em suas rotas. Atualmente, há nove voos semanais diretos entre Brasil e México, além de dezenas de frequencias com conexões.
Os lugares preferidos pelos brasileiros no México são Cancún, Cidade do México, Riviera Maya e Los Cabos. A CPTM quer ampliar o leque de destinos divulgando rotas temáticas, como a cultura do vinho, os Tarahumaras milenários, natureza, história, romantismo, a arte da tequila, história e modernidade, entre outras. São cerca de dez roteiros que abrangem os 32 Estados da República Mexicana.

(Fonte : Brasilturis Jornal)



CACHACEIROS

Degustador ensina que, para ser bom, o destilado brasileiro só precisa ter cheiro de cana

Na ficha de avaliação, opções como "inhaca" e "na falta de tu, vai tu mesmo".
Virando a página, novas opções. De categorias mais ortodoxas como "seca" e "densa" a classificações mais livres: "parece remédio" e "engoli um gato".
A primeira ficha refere-se ao aroma. A segunda, ao sabor. Ali à frente, o professor brada: "A boca do degustador é insubstituível".
Num curso de formação básica de degustador de cachaças, no Rio, o "cachaçólogo" Marcelo Câmara, degustador profissional e consultor de alambiques pelo país, é radical na defesa da bebida.
"Tem muito conhecedor de uísque e de vinho falando de cachaça. Gente que nunca entrou num engenho, que não toma aguardente", diz.
"No restaurante, o maître não sabe indicar uma cachaça. Você pede uma caipirinha e perguntam se é de vodca ou de saquê. São raros os que têm carta de cachaça."
"CACHACIER"

A ideia, então, era fazer dos alunos razoáveis entendedores do assunto.
Na sala, em um hotel de Ipanema, mais cinco candidatos a "cachacier".
Causou estranheza uma recomendação: a de evitar desodorante, para reduzir a interferência no olfato.
Mas, até que a bebericação começasse, muita teoria pela frente. Câmara falou e falou. Em cinco minutos, disse a palavra cachaça 36 vezes.
O curso passa pela história desde o primeiro alambique, em São Vicente (São Paulo), no século 16. Por termos complexos das propriedades químicas. Pelas classificações da cachaça, de nova fresca -recém-saída da destilaria- a reserva especial -quando são curtidas por mais de três anos.
Às 16h06, começou, enfim, a bebedeira. "Cachaça não tem buquê. Cachaça só tem um cheiro. De cana!"
Em pouco mais de uma hora, cinco doses de pinga. Ou "mé". Ou "amorosa". Sinônimos de uma enorme lista distribuída aos alunos.
Não dá para se tornar um especialista. Mas dá para sair entendendo mais do assunto. E para ficar tonto.
Faltou um tira-gosto. Ou "bota-gosto", como o professor pede, com razão, que sejam chamados salaminhos, bolinhos e azeitonas.

A MELHOR AGUARDENTE
Dicas do "cachacier" Marcelo Câmara (ilhaverde.net)

PREÇO
Despreze cachaças em embalagens elaboradas, luxuosas ou caras demais

ALAMBIQUE
Prefira uma cachaça artesanal, de alambique. Não se lê a palavra "artesanal" no rótulo (indicação proibida por lei), mas expressões como "de alambique" ou "fabricada por"
CAIPIRINHA
A verdadeira cachaça é a nova, isto é, "branca", incolor e com teor alcoólico de 38% a 48%. É a única adequada para preparar caipirinha e batidas

ENVELHECIDA
Não compre cachaça com mais de quatro anos de envelhecimento, pois estará demasiadamente amadeirada

ALQUIMIA
Não compre "blends", misturas de diversas cachaças ou cachaças envelhecidas em várias madeiras. Isso é feito por quem não sabe fabricar uma cachaça de excelência

AROMA
Em casa, ao abrir a garrafa, aspire a cachaça ainda no gargalo: ela deverá ter cheiro de cana. Se não tiver cheiro do bagaço, não é cachaça boa

COPINHO AMERICANO
O copo deve ser uma miniatura para que o aroma e o sabor sejam retidos

TIRA-GOSTO
Os melhores acompanhamentos para a cachaça são as carnes e frutos do mar, fritos, assados ou defumados, e frutas ácidas
CACHAÇA PODE DEIXAR DE SER "RUM" NOS EUA

Brasil e EUA negociam uma troca para que a cachaça ganhe espaço lá fora. Se reconhecer o Jack Daniel's como uísque (hoje entra como uísque de milho), os EUA deixam de ver a cachaça como rum, rótulos dos destilados de cana.
(Fonte e imagem : Jornal Folha de S. Paulo)

PINOT NOIR: OS QUE SÃO E OS QUE SÓ SE ACHAM

A moda dos vinhos varietais (em que predomina uma variedade de uva e ela é mencionada no rótulo), mais o processo de globalização em que vivemos, provocou, em especial nos últimos 20 anos, uma forte concentração de tintos com cabernet sauvignon e de brancos com chardonnay. A essas duas castas se juntaram a syrah e a merlot, mais a sauvignon blanc, para formar o chamado grupo das variedades internacionais, que têm, bem ou mal, certa facilidade de se adaptar aos diferentes climas e solos das regiões vinícolas mundo afora.
A escolha de tais uvas não se deu só por sua capacidade de aclimatação, mas pelo fato de estarem associadas a regiões de prestígio - cabernet sauvignon e merlot a Bordeaux; chardonnay à Borgonha; syrah ao Rhône - e ao rápido sucesso dos tintos da Austrália nos anos 90. O mesmo aconteceu com a sauvignon blanc, que tinha boa presença no Vale do Loire e explodiu no mercado com os frutados e sedutores brancos da Nova Zelândia. No fundo, todos queriam fazer "bordeaux", "chablis" e "montrachets". E aproveitar a onda dos australianos e neozelandeses.
Nessa galeria de vinhos de prestígio a serem "pirateados" faltavam os borgonhas tintos. Mas as tentativas de "domar" a caprichosa pinot noir, casta que ali reina soberana, foram em sua quase totalidade mal sucedidas. Qualquer resquício de pudor caiu por terra com os efeitos provocados pelo filme "Sideways", de 2004, que ressaltava as virtudes dos pinots. Num mercado tão influenciável como o dos EUA, tal menção fez com que a busca por pinot noir explodisse - 30% de imediato -, sem produção suficiente para a demanda.
Produtores das mais variadas procedências implantaram às pressas novos vinhedos para não perder o bonde. Seria isso pinot noir? "É inapelável, não existe pinot noir fora da Borgonha", disse certa vez a competente e geniosa Lalou Bize-Leroy, que comanda o celebrado Domaine Leroy. Segundo Christophe Tupinier, que dirige o "Bourgogne Aujourd'hui", publicação referência da região, "se a pinot noir não conseguiu se desenvolver pelo mundo da mesma maneira que outras castas há razões. A primeira delas é sua sensibilidade. É uma variedade delicada cuja essência é produzir vinhos que se caracterizam por uma espécie de equilíbrio entre finesse, densidade, plenitude da fruta, taninos finos e frescor. Com toda a boa vontade do mundo, não se poderá jamais produzir grandes pinots noirs em países de clima quente, muito frio, muito seco ou muito úmido". Longe de seu habitat original, a casta perde as preciosas características que a distinguem de todas as outras variedades.
É até certo ponto frequente associar vinho encorpado com tânico ou potente em boca. No caso, confunde-se estrutura e peso (que bons borgonhas têm) com impacto (que tanino e volume provocam). É significativo notar que os pinots dos EUA obtêm altas pontuações do influente crítico Robert Parker. Isso não se deve à competência dos produtores de lá, que teriam conseguido conciliar as virtudes da Borgonha com a potência e concentração que agradam Parker. Afinal, esses dois atributos descaracterizam a pinot noir.
Regra geral, seja por questões naturais ou para agradar o consumidor americano (as uvas são colhidas mais tarde e procura-se mais extração na vinificação), os "borgonhas" por aí são mais alcoólicos e têm padrão marcado por fruta muito madura, quase adocicado, com grau de acidez insuficiente para equilibrar o conjunto.
Poucas regiões têm mostrado vocação para propor pinots noirs que se aproximem do padrão Borgonha. Em todo caso, bons exemplares vêm da Nova Zelândia, particularmente das zonas de Central Otago e de Martinborough. Da mesma forma, a região vinícola de Ahr, na confluência deste rio com o Reno, na Alemanha. Depois de um início de cultivo da pinot noir um tanto estabanado, o Chile começa a apresentar vinhos com boa tipicidade. Bons rótulos apareceram em Casablanca e Leyda, assim como de áreas mais ao sul do país, como Bio-Bio e de Malleco.
Os suíços se orgulham de seus pinots e estão buscando destaque. Eles levam isso tão a sério que organizam todos os anos o concurso "Mondial du Pinot Noir". Os que degustei na ProWein tinham graduação alcoólica acima de 14% e baixa acidez - eu esperava o contrário. Decepcionaram.
Entre todos os pinots noirs disponíveis no Brasil, vindos de várias partes do mundo, alguns vinhos até podem ser bons, mas parecem merlot, gamay ou qualquer coisa, menos pinot noir.

(Fonte : Jornal Valor Econômico / imagem divulgação)